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"Imóvel como patrimônio: o que a Itália pode ensinar ao Brasil" - O Estado de S.Paulo - Cad. Negócios - Pág. B14.


Imóvel como patrimônio: o que a Itália pode ensinar ao Brasil
 
Mercado residencial italiano reforça papel da propriedade na formação de patrimônio e oferece uma reflexão para o Brasil
 
 
Na Itália, ter a casa própria vai além de uma escolha de moradia: a propriedade ocupa um espaço importante na composição do patrimônio das famílias. Segundo o Istat, instituto nacional de estatística da Itália, 73,9% das famílias viviam em imóveis próprios em 2023. Essa forte presença da propriedade ajuda a dimensionar a importância da habitação no patrimônio das famílias italianas.
 
Os números mais recentes reforçam essa relação. Segundo a Banca d’Italia, o banco central italiano, a riqueza líquida das famílias cresceu em 2025, acompanhada pela valorização dos imóveis. O patrimônio habitacional, portanto, não é apenas um lugar para morar, mas um ativo que pode atravessar gerações e participar da formação de riqueza.
 
O mercado residencial italiano também apresenta sinais de aquecimento. No primeiro trimestre de 2026, os preços das moradias subiram 5,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o volume de transações avançou 4,4%, segundo o Istat. Os preços dos imóveis novos cresceram 6,7%, enquanto os usados tiveram alta de 4,8%.
 
O Piemonte, no norte do país, é um exemplo. A região, que tem Turim como principal cidade, apresenta preços residenciais abaixo da média italiana. Isso mostra que, mesmo diante de uma valorização nacional, existem diferentes combinações de preço, demanda e perspectiva de desenvolvimento.
 
A mesma lógica vale para o Brasil. São Paulo, Rio de Janeiro, capitais regionais e cidades do interior têm mercados bastante distintos. Em ambos os países, olhar apenas para a média nacional pode esconder oportunidades e riscos que aparecem quando se analisa cada localidade.
 
Também há diferenças no ambiente econômico. No Brasil, juros e indexadores como TR e IPCA influenciam o financiamento imobiliário e o custo da aquisição. Na Itália, os financiamentos estão inseridos no ambiente de juros da zona do euro. Para quem compra, portanto, o preço do imóvel é apenas uma parte da equação.
 
Para os brasileiros interessados no mercado italiano, entram ainda impostos, despesas de compra e registro, manutenção e documentação. Os vínculos históricos e culturais entre os dois países podem estimular a busca por moradia, segunda residência ou diversificação patrimonial, mas não eliminam a necessidade de avaliar demanda, liquidez e localização.
 
A experiência italiana deixa uma reflexão útil para o Brasil: imóvel não é apenas moradia nem precisa ser tratado como uma aposta de curto prazo. Quando escolhido com planejamento, localização e visão de longo prazo, pode contribuir para a construção patrimonial.
 

 



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