Construção industrializada: a obra que sai da fábrica e chega mais rápido às cidades
* Luiz Henrique Ceotto, diretor de engenharia da URBIC
A construção civil sempre foi marcada por processos bastante artesanais, mas o avanço da industrialização no setor vem mudando essa lógica atualmente. Quais as razões e os impactos desse processo evolutivo?
Existem duas maneiras de você evoluir na industrialização. Uma delas está bastante em evidência agora, que é construir módulos tridimensionais onde tudo vem pronto. Você basicamente encaixa esses módulos na obra. No entanto, a industrialização que realmente pode atender 80% das construções, e que muitos não conhecem, é a que a gente chama de componentização, ou seja, a partir de componentes industrializados de menor peso, que são fixados e unidos ao canteiro de obra em processos de alta precisão.
Na prática, quais são os ganhos que essa nova metodologia pode trazer para o processo construtivo, especialmente em relação ao prazo de execução?
Eu, por exemplo, tenho feito prédios de 15 a 20 pavimentos, em que o prazo médio de construção é reduzido em até em um terço. A gente atualmente consegue realizar toda a obra, com um, dois subsolos, em um tempo que varia de 16 a 17 meses – e entregá-la, inclusive, mobiliada.
Além da redução dos prazos, de que maneira a industrialização pode transformar o trabalho na construção civil e o próprio desenvolvimento do setor?
Ela contribui decisivamente para tornar a construção civil uma atividade muito menos penosa, muito mais produtiva, muito mais segura e muito mais remunerada. Ao transferir parte da produção para ambientes controlados, as empresas conseguem reduzir riscos operacionais, melhorar a qualidade e acelerar cronogramas, aproximando o setor de uma lógica mais industrial.