"Copa do Mundo 2026 e os investimentos que movimentam o mercado imobiliário" - O Estado de S.Paulo - Cad. Negócios - Pág. B8.
Copa do Mundo 2026 e os investimentos que movimentam o mercado imobiliário
Infraestrutura, hotelaria e mobilidade mostram como grandes eventos esportivos influenciam decisões urbanas e econômicas
Com o início da Copa do Mundo de 2026, os Estados Unidos, ao lado de Canadá e México, concluem os preparativos para receber o maior torneio de futebol da história. Serão 48 seleções, 104 partidas e 16 cidades-sede, em uma edição que deve atrair milhões de visitantes e movimentar bilhões de dólares em turismo, serviços e infraestrutura. Mais do que um evento esportivo, a competição tem funcionado como catalisadora de investimentos urbanos e imobiliários.
Embora os estádios sejam os elementos mais visíveis, os principais aportes estão concentrados em mobilidade, transporte, segurança e hospitalidade. Segundo informações divulgadas por autoridades locais e veículos internacionais, cidades-sede norte-americanas direcionaram mais de US$ 1 bilhão para melhorias operacionais e projetos de infraestrutura associados ao torneio. Em centros como Los Angeles, Filadélfia e Nova York, intervenções em transporte público e integração de modais ganharam prioridade para absorver o aumento da demanda durante a competição. Estimativas recentes apontam ainda que a Copa poderá gerar cerca de US$ 4,3 bilhões em gastos turísticos, com forte concentração em hospedagem, alimentação e serviços.
Além dos gastos privados, governos locais também projetam aumento na arrecadação de tributos ligados ao consumo, como hospedagem, alimentação, transporte e entretenimento. A expectativa é que parte dos investimentos realizados seja compensada pela maior atividade econômica gerada durante o torneio. Ainda assim, especialistas alertam que o retorno fiscal efetivo varia entre as cidades e depende da capacidade de converter o fluxo temporário de visitantes em benefícios econômicos mais duradouros.
Outro aspecto relevante é o impacto sobre regiões beneficiadas por melhorias urbanas. Experiências internacionais mostram que investimentos em mobilidade e conectividade tendem a ampliar a atratividade de determinados bairros e estimular novos empreendimentos, especialmente quando integrados a estratégias permanentes de desenvolvimento urbano.
Ainda assim, grandes eventos não garantem transformações permanentes. Os resultados dependem da qualidade dos investimentos e da utilização dessas estruturas após a competição.
No Brasil, essa discussão permanece atual. A experiência da Copa de 2014 mostrou que obras associadas a megaeventos podem gerar resultados bastante distintos entre as cidades. Ao mesmo tempo, evidenciou a importância do planejamento e da governança para transformar investimentos temporários em benefícios duradouros.
Mais do que uma discussão sobre futebol, a Copa de 2026 oferece um exemplo de como grandes eventos influenciam decisões de investimento e aceleram projetos urbanos. Para o mercado imobiliário, o principal aprendizado está menos no evento em si e mais na capacidade de converter investimentos em ativos que continuem gerando valor para as cidades no longo prazo, fortalecendo sua competitividade, atratividade e potencial de desenvolvimento econômico.
Retornar