"ESG evolui de tendência para exigência do mercado imobiliário" - O Estado de S.Paulo - Cad. Negócios - Pág. B8.
ESG evolui de tendência para exigência do mercado imobiliário
Pressões regulatórias, anseios dos investidores e novos padrões de consumo transformam sustentabilidade em fator decisivo no setor
Por Juan Diaz e André Winter
A agenda ESG (governança ambiental, social e corporativa) deixou de ser um diferencial e passou a ocupar posição central no mercado imobiliário global. Responsável por cerca de 40% das emissões globais de carbono quando considerado o ciclo completo da construção e operação, o setor está no centro das discussões sobre transição energética e sustentabilidade, com impactos diretos sobre financiamento, precificação e gestão de ativos, segundo análises da KPMG.
Nos últimos anos, investidores institucionais passaram a incorporar métricas ESG de maneira mais rigorosa, refletindo mudanças estruturais na forma de avaliar risco e retorno no longo prazo. A sustentabilidade deixou de ser apenas um tema reputacional e passou a integrar decisões estratégicas, influenciando desde o desenvolvimento de projetos até a gestão de portfólio e compliance regulatório.
Esse movimento ocorre em paralelo ao avanço da transparência corporativa. Levantamento global da KPMG aponta que 79% das maiores empresas do mundo já publicam relatórios de sustentabilidade, embora menos da metade apresente dados completos sobre os pilares ambiental, social e de governança. O dado reforça a maior consistência e padronização das informações reportadas ao mercado sobre impactos e riscos de sustentabilidade.
A regulação também avança de modo consistente. Em diferentes mercados, normas relacionadas à eficiência energética, uso eficiente de materiais, descarte responsável e transparência vêm impactando diretamente o desenvolvimento e a operação de ativos, pressionando empresas a adaptarem seus empreendimentos a padrões mais rigorosos, sob risco de perda de valor ou necessidade de investimentos adicionais em retrofit.
Para o mercado imobiliário, esse movimento redefine padrões de competitividade. Ativos que não incorporam critérios ESG tendem a enfrentar maior risco de obsolescência, menor liquidez e restrição de financiamento. Por outro lado, empreendimentos sustentáveis destacam-se pela eficiência operacional, resiliência e maior atratividade para investidores e ocupantes.
No Brasil, a agenda ganha força de maneira gradual, impulsionada tanto por demandas de mercado e novas regulamentações entrando em vigor quanto pela influência de tendências globais. Mais do que uma pauta reputacional, os princípios de ESG consolidam-se como um vetor econômico do real estate, influenciando decisões de investimento e preservação de valor no longo prazo.
Juan Diaz é sócio-líder do segmento de Real Estate da KPMG no Brasil e André Winter, sócio diretor de ESG advisory da KPMG no Brasil
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