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"A nova geografia do valor no mercado imobiliário global" - O Estado de S.Paulo - Cad. Economia & Negócios - Pág. B10.


A nova geografia do valor no mercado imobiliário global
 
Correção de preços, escassez de oferta e seletividade de capital redefinem onde e como investir
 

O mercado imobiliário global vive um momento de transição que vai além de um simples ciclo econômico. Após anos de expansão e uma correção relevante nos preços, investidores passaram a adotar uma postura mais seletiva, priorizando ativos com fundamentos sólidos e demanda comprovada. O foco deixa de ser geográfico amplo e passa a ser cada vez mais granular: setor, localização e qualidade do ativo tornam-se determinantes.
 
Nos Estados Unidos, esse movimento é visível na reprecificação do mercado. Segundo a Morgan Stanley, ativos imobiliários chegaram a registrar ajustes de valor entre 20% e 25% nos últimos anos, criando novas oportunidades de entrada para investidores com visão de longo prazo. Ao mesmo tempo, a escassez de novos projetos — resultado de custos elevados e restrições de financiamento — contribui para sustentar o próximo ciclo.
 
Outro indicador relevante está na retomada gradual da atividade. De acordo com a CBRE, o volume de investimentos em real estate nos Estados Unidos pode crescer cerca de 16% em 2026, aproximando-se dos níveis pré-pandemia. Ainda assim, esse crescimento ocorre de forma desigual entre segmentos, com maior concentração em ativos considerados resilientes.
 
Na Europa, a dinâmica reforça a busca por ativos de maior qualidade. A redução no volume de novas construções, impulsionada por custos elevados, tem gerado escassez de ativos de alta qualidade, especialmente no segmento de escritórios premium. Em cidades como Londres e Paris, a oferta limitada vem pressionando preços e ampliando a diferença entre ativos “prime” e secundários.
 
Esse cenário aponta para uma mudança estrutural: o desempenho do mercado passa a depender menos do ciclo macroeconômico e mais de características específicas de cada ativo. Como destaca o relatório do Urban Land Institute, em parceria com a PwC, o foco do investidor migra de uma lógica macro para decisões mais orientadas por fundamentos operacionais e demanda efetiva.
 
No Brasil, essa tendência já começa a se refletir. Em um ambiente de crédito mais restrito e custos ainda elevados, investidores e incorporadores também passam a priorizar projetos com maior previsibilidade de retorno, boa localização e aderência à demanda. A lógica global se replica localmente: menos volume, mais qualidade.
 
Mais do que um novo ciclo, o mercado imobiliário entra em uma fase de maior maturidade. Em um cenário de capital mais seletivo, a capacidade de identificar ativos com fundamentos sólidos e potencial de longo prazo tende a ser o principal diferencial competitivo no real estate global.
 

 



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