"Industrialização da construção reforça produtividade como fronteira do setor" - O Estado de S.Paulo - Cad. Economia & Negócios - Pág. B14.
Industrialização da construção reforça produtividade como fronteira do setor
Novas tecnologias e métodos construtivos ganham espaço como resposta às pressões por eficiência e redução de custos
Por Tatiana Gruenbaum
A baixa produtividade é um dos desafios históricos da construção civil em escala global. Enquanto setores industriais avançaram com automação e padronização, o setor ainda apresenta ganhos limitados de eficiência, impactando custos, prazos e previsibilidade, principalmente em uma conjuntura de inflação de insumos e maior pressão por margens.
Esse cenário começa a mudar com a adoção de métodos industrializados, como pré-fabricação, construção modular e processos off-site. Ao transferir parte da produção para ambientes controlados, empresas conseguem reduzir riscos operacionais, melhorar a qualidade e acelerar cronogramas, aproximando o setor de uma lógica mais industrial, baseada em escala e repetição.
As pressões por transformação também se explicam pelo impacto estrutural da atividade. De acordo com a KPMG, edifícios e infraestrutura podem representar até 70% das emissões globais de carbono, quando considerado todo o ciclo construtivo. Isso reforça a urgência de modelos mais eficientes, menos intensivos em desperdício e mais alinhados à agenda de sustentabilidade.
Nesse contexto, a digitalização ganha protagonismo. Tecnologias como BIM (Building Information Modeling ou Modelagem da Informação da Construção), automação e soluções baseadas em dados vêm sendo incorporadas como ferramentas para aumentar produtividade, melhorar o planejamento e reduzir retrabalho ao longo do ciclo imobiliário. A integração entre projeto, execução e operação passa a ser um fator-chave para eficiência.
Para incorporadores e construtoras, a industrialização representa uma oportunidade estratégica. Em um ambiente mais competitivo, a capacidade de reduzir custos, ganhar previsibilidade e otimizar recursos torna-se um diferencial relevante, especialmente em projetos de maior escala.
No Brasil, a adoção ainda ocorre de modo gradual, mas já avança em segmentos como habitação em larga escala e empreendimentos corporativos. A necessidade de aumentar produtividade e melhorar margens tende a acelerar esse movimento, acompanhando uma tendência global de transformação do setor.
Mais do que uma inovação pontual, a industrialização da construção aponta para uma mudança estrutural na forma de produzir no real estate, aproximando o setor de uma lógica mais eficiente, integrada e orientada à escala.
* Tatiana Gruenbaum é sócia-diretora líder do segmento de Infraestrutura da KPMG no Brasil
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