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"Crédito imobiliário global e o novo ciclo de capital no real estate" - O Estado de S.Paulo - Cad. Economia & Negócios - Pág. B6.


Crédito imobiliário global e o novo ciclo de capital no real estate
 
Recuperação gradual, seletividade e juros ainda elevados redefinem o ritmo do mercado em 2026
 
 
O mercado imobiliário global atravessa, em 2026, um momento de inflexão. Após o ciclo mais intenso de aperto monetário das últimas décadas, o setor começa a apresentar sinais de estabilização, ainda que em um ambiente de juros elevados e maior seletividade por parte de investidores e instituições financeiras. A dinâmica atual não é mais de retração generalizada, mas tampouco de expansão. Trata-se de um ajuste estrutural na forma como o capital é alocado no real estate.
 
As projeções mais recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam crescimento global próximo de 3,3% em 2026, com inflação em desaceleração gradual e condições financeiras ainda restritivas. Esse cenário sustenta uma retomada moderada da atividade imobiliária, mas sem retorno ao ciclo de liquidez abundante observado na década anterior.
 
No mercado residencial, os dados mais recentes do Bank for International Settlements — instituição que reúne bancos centrais e monitora indicadores financeiros globais — mostram que os preços dos imóveis ainda refletem os efeitos do ciclo anterior. Em 2025, os valores reais registraram leve queda, consolidando um período de ajuste após anos de valorização acelerada em diversas economias.
 
Para 2026, no entanto, a tendência é de estabilização. Relatórios de mercado indicam que 2025 pode ter representado o ponto mais baixo desse ciclo recente, com expectativa de retomada gradual da liquidez e do interesse de investidores ao longo deste ano. Esse movimento, porém, ocorre de forma desigual entre regiões e segmentos.
 
O capital passa a ser direcionado de maneira mais seletiva, privilegiando ativos com renda previsível, localização consolidada e aderência a tendências estruturais — como logística, residencial multifamily e infraestrutura digital. Ao mesmo tempo, o custo do dinheiro segue como variável central. Mesmo com perspectivas de cortes graduais de juros em algumas economias, o patamar ainda elevado mantém pressão sobre o crédito e exige maior disciplina financeira na estruturação de projetos.
 
No Brasil, esse contexto se reflete em um mercado mais racional, com foco em produtos aderentes à demanda e maior rigor na análise de viabilidade. O ambiente reforça a importância de fundamentos sólidos — como localização, qualidade do ativo e capacidade de geração de renda — como pilares de decisão.
 
Mais do que uma recuperação linear, o momento atual marca a consolidação de um novo ciclo no real estate global: menos dependente de liquidez abundante e mais orientado por eficiência, seletividade e consistência de longo prazo.
 

 



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