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"O novo perfil da demanda imobiliária nas grandes cidades" - O Estado de S.Paulo - Cad. Negócios - Pág. B8.


O novo perfil da demanda imobiliária nas grandes cidades
 
Mudanças demográficas, comportamento e estilo de vida redesenham o tipo de produto mais demandado
 
 
O mercado imobiliário global passa por uma transformação impulsionada por mudanças estruturais na sociedade. Fatores como envelhecimento populacional, novas formas de trabalho e alterações nos padrões de consumo vêm redesenhando o perfil da demanda nas grandes cidades, exigindo adaptações por parte de incorporadores, investidores e gestores urbanos.
 
Essas mudanças já se refletem nos fluxos de investimento. De acordo com o relatório "Emerging Trends in Real Estate: Global 2025", da PwC, divulgado em março, os volumes globais de transações imobiliárias alcançaram cerca de US$ 888 bilhões – o que indica uma retomada gradual das atividades após um período de maior volatilidade. No entanto, esse movimento ocorre de forma mais seletiva, com maior concentração em ativos considerados resilientes e alinhados a tendências de longo prazo.
 
Ao mesmo tempo, observa-se uma mudança relevante no tipo de produto mais valorizado. Segmentos como multifamily, habitação estudantil e moradia sênior vêm ganhando espaço, refletindo tanto o envelhecimento da população quanto novas dinâmicas urbanas. Segundo a McKinsey & Company, consultoria global de estratégia e gestão, ativos alternativos — incluindo data centers e habitação especializada — esses segmentos têm ampliado participação no volume global de investimentos imobiliários, consolidando-se como novas classes relevantes e mais resilientes a ciclos econômicos.
 
Além disso, cresce a demanda por imóveis mais flexíveis, bem localizados e integrados a serviços. O avanço do trabalho híbrido e a busca por qualidade de vida reforçam a valorização de empreendimentos de uso misto, com maior proximidade entre moradia, trabalho e lazer. Essa mudança reduz a centralidade de deslocamentos longos e favorece modelos urbanos mais compactos, eficientes e conectados ao cotidiano dos usuários.
 
Outro vetor relevante é a mudança no perfil dos compradores e locatários, especialmente entre as gerações mais jovens. Há maior valorização de mobilidade, conveniência, serviços agregados e experiência urbana, em detrimento de métricas tradicionais como metragem ou padrão construtivo isolado. Isso pressiona o setor a repensar produtos e estratégias de desenvolvimento.
 
No Brasil, essas tendências começam a se consolidar nos grandes centros, ainda que em ritmos distintos. Incorporadores passam a adaptar seus projetos, incorporando maior flexibilidade de uso, enquanto investidores observam novas oportunidades em segmentos antes pouco explorados no mercado local, como locação residencial institucional e produtos híbridos.
 
Mais do que responder a ciclos econômicos, o mercado imobiliário passa a refletir transformações estruturais da sociedade. Compreender essas mudanças torna-se essencial para o desenvolvimento de projetos mais aderentes às novas demandas urbanas e para a geração de valor no longo prazo.
 


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