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"Habitação acessível: o desafio estrutural das cidades globais" - O Estado de S.Paulo - Cad. Negócios - Pág. B20.


Habitação acessível: o desafio estrutural das cidades globais
 
Escalada de preços e escassez de oferta transformam o acesso à moradia em um dos principais desafios urbanos do século
 
 
O acesso à moradia tornou-se um dos temas mais urgentes da agenda urbana global. Em diversas economias avançadas e emergentes, o aumento dos preços imobiliários nas últimas décadas superou o crescimento da renda das famílias. Segundo a OCDE, o custo da habitação cresceu, em média, mais de 30% acima da renda em países-membros desde os anos 2000, ampliando a dificuldade de aquisição ou locação nas principais cidades.
 
Nos Estados Unidos, no Reino Unido, no Canadá e na Austrália, a crise de “housing affordability” tornou-se tema central de políticas públicas. Nos EUA, o déficit habitacional já supera 3 milhões de unidades, enquanto grandes centros registram níveis historicamente baixos de vacância. A combinação entre crescimento urbano, restrições de oferta e custos elevados de construção tem reduzido significativamente a disponibilidade de moradia acessível.
 
Na Europa, o debate ganhou intensidade após a pandemia. Países como Alemanha, França e Holanda passaram a ampliar programas de incentivo à construção residencial e revisar políticas urbanísticas para aumentar a densidade em áreas com infraestrutura consolidada. A lógica é clara: ampliar a oferta para conter a pressão sobre preços.
 
Para o setor imobiliário, esse cenário cria desafios e oportunidades. Incorporadores enfrentam custos crescentes de terreno, financiamento e materiais — pressionados, inclusive, pela inflação global da construção —, mas encontram demanda estrutural elevada por novos projetos. Investidores institucionais também passaram a enxergar a habitação acessível como uma classe de ativo relevante de longo prazo.
 
No Brasil, o tema também permanece central. Na cidade de São Paulo, maior mercado imobiliário do país, dados do Secovi-SP indicam que a habitação de interesse social tem assumido papel protagonista recente, respondendo por cerca de 60% das unidades lançadas e comercializadas. O movimento reflete a combinação entre políticas públicas, avanços regulatórios e programas habitacionais que vêm ampliando o acesso à moradia para faixas de menor renda. Ao mesmo tempo, segmentos de renda média foram mais impactados pelo ciclo recente de juros elevados e restrições de crédito, cenário que começa a se reequilibrar gradualmente. Ainda assim, o desafio permanece expressivo: o déficit habitacional brasileiro segue na casa de milhões de moradias, mesmo após recuos recentes, evidenciando o descompasso estrutural entre oferta e demanda no país.
 
A missão das próximas décadas será encontrar equilíbrio entre viabilidade econômica e inclusão urbana. Cidades capazes de ampliar sua oferta habitacional de forma sustentável tendem a atrair mais talentos, investimentos e dinamismo econômico.
 
Nesse contexto, a habitação acessível deixa de ser apenas uma questão social e passa a ocupar posição estratégica no planejamento urbano e no desenvolvimento imobiliário global.
 

 



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