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"A reinvenção dos centros urbanos no pós-pandemia" - O Estado de S.Paulo - Cad. Metrópole - Pág. A18.


A reinvenção dos centros urbanos no pós-pandemia
 
Conversão de escritórios, uso misto e novos padrões de ocupação redesenham o futuro das áreas centrais
 
 
*Por Mauro Teixeira Pinto
 
A pandemia acelerou uma transformação silenciosa nas principais cidades do mundo. O avanço do trabalho remoto e híbrido reduziu a demanda por escritórios tradicionais, levando governos e investidores a repensar o papel dos distritos centrais. Em cidades como Nova York e San Francisco, as taxas de vacância em edifícios corporativos ultrapassaram 20% em determinados períodos recentes, colocando em xeque o modelo tradicional de ocupação desses ativos, segundo levantamentos de mercado como os da CoStar e de consultorias imobiliárias globais.
 
Diante desse cenário, cresce a discussão sobre a conversão de prédios comerciais em habitação. Nos Estados Unidos, programas locais buscam viabilizar retrofits como forma de enfrentar simultaneamente a vacância e o déficit habitacional. A tendência também ganhou força na Europa, onde cidades como Londres e Paris avaliam ajustes regulatórios para facilitar mudanças de uso e estimular projetos multifuncionais.
 
Esse movimento reflete uma mudança estrutural na dinâmica urbana. O modelo tradicional de central business district — marcado por alta concentração de escritórios e fluxos pendulares intensos — começa a dar lugar a áreas mais diversas, onde moradia, trabalho, serviços e lazer coexistem, sinalizando a transição para um modelo urbano mais resiliente e multifuncional. Segundo a PwC, consultoria global de auditoria e estratégia, projetos de uso misto e requalificação de ativos estão entre as principais tendências do setor imobiliário.
 
No Brasil, o debate ganha relevância em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Regiões centrais historicamente esvaziadas voltam ao radar de políticas públicas e investimentos privados. Em São Paulo, iniciativas de retrofit e incentivos ao uso residencial buscam reativar o centro por meio da diversificação de funções urbanas e da ampliação da oferta habitacional.
 
A experiência internacional indica que a reinvenção dos centros urbanos dependerá da combinação entre políticas públicas, segurança jurídica e participação ativa do setor privado. Para incorporadores e investidores, a capacidade de adaptar ativos existentes e desenvolver projetos multifuncionais tende a se tornar um diferencial competitivo.
 
Mais do que uma resposta conjuntural ao trabalho remoto, essa transformação aponta para uma mudança mais profunda na forma como as cidades organizam seus espaços. O futuro das áreas centrais tende a ser menos dependente de escritórios e mais orientado à diversidade — um movimento que pode redefinir o valor e o papel do setor imobiliário nas grandes metrópoles.
 
*Mauro Teixeira Pinto é economista e membro do conselho fiscal do Secovi-SP
 


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