"Sustentabilidade e precificação: por que ativos verdes tendem a liderar o próximo ciclo imobiliário" - O Estado de S.Paulo - Cad. Negócios - Pág. B10.
Sustentabilidade e precificação: por que ativos verdes tendem a liderar o próximo ciclo imobiliário
Regulação ambiental, metas corporativas e pressão do mercado de capitais transformam eficiência energética em fator de valor
A sustentabilidade consolidou-se como variável econômica no mercado imobiliário global. Se, há uma década, certificações ambientais eram diferencial reputacional, hoje elas influenciam diretamente liquidez, precificação e acesso a financiamento. Em um ambiente de maior seletividade por parte de investidores e ocupantes corporativos, ativos alinhados a critérios ambientais apresentam desempenho superior em diversos mercados.
Na Europa, regulações mais rígidas vêm pressionando proprietários a modernizar edifícios antigos sob risco de obsolescência regulatória. Países como Reino Unido, Alemanha e França avançaram em metas de eficiência energética, impondo padrões mínimos para locação e comercialização de imóveis. O efeito imediato tem sido a ampliação do chamado “green premium” — a diferença de valor entre ativos sustentáveis e aqueles com baixo desempenho ambiental.
Nos Estados Unidos e na Ásia, grandes corporações passaram a integrar metas ESG às decisões imobiliárias. Empresas multinacionais priorizam edifícios com certificações reconhecidas e menor pegada de carbono, tanto por exigência de investidores quanto por estratégia reputacional. Fundos institucionais, por sua vez, incorporaram métricas ambientais em seus critérios de alocação de capital.
Esse movimento gera impacto direto na formação de preço. Imóveis eficientes tendem a registrar menor vacância, maior retenção de inquilinos e condições mais favoráveis de financiamento. Já ativos que não acompanham a transição energética enfrentam risco crescente de desvalorização, restrições de financiamento e necessidade de retrofit.
No Brasil, a agenda avança de forma gradual, mas consistente. Empreendimentos corporativos com certificações ambientais vêm atraindo maior interesse de investidores e ocupantes, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro. A discussão sobre eficiência energética e redução de emissões também começa a alcançar o segmento residencial de médio e alto padrão.
O desafio brasileiro está em equilibrar custo de adaptação e viabilidade econômica, sobretudo diante de restrições de crédito e desigualdades regionais. Ainda assim, a tendência global é inequívoca: sustentabilidade passou a integrar a lógica financeira do setor.
O próximo ciclo imobiliário tende a premiar ativos preparados para exigências ambientais mais rigorosas. Mais do que atender a uma agenda internacional, a eficiência energética tornou-se elemento estrutural de preservação de valor. Para incorporadores, investidores e gestores públicos, adaptar o estoque imobiliário existente e planejar novos projetos sob essa ótica deixou de ser escolha estratégica e passou a ser condição de competitividade no mercado global de capitais.
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