"Mesa Redonda FIABCI-BRASIL e Secovi-SP discute perspectivas político-econômicas para 2026" - O Estado de S.Paulo - Cad. Política - Pág. A6.
Mesa Redonda FIABCI-BRASIL e Secovi-SP discute perspectivas político-econômicas para 2026
Encontro reuniu mais de 100 participantes para análise do cenário nacional e seus impactos no setor imobiliário
A FIABCI-BRASIL e o Secovi-SP realizaram, no último dia 26, mais uma edição da tradicional Mesa Redonda, reunindo mais de 100 participantes, entre autoridades e lideranças do setor, para discutir as perspectivas políticas e econômicas para 2026. O encontro foi conduzido por Flávio Amary, presidente da FIABCI-BRASIL, e Basílio Jafet, vice-presidente de Relações Institucionais do Secovi-SP. Os convidados desta edição foram o jornalista Eduardo Oinegue, âncora do Jornal da Band e comentarista dos canais BandNews, e Rafael Furlanetti, sócio-diretor da XP Investimentos.
Em sua apresentação, Oinegue destacou a recorrência de ciclos políticos e a ausência de lideranças capazes de promover estabilidade institucional. Mencionou o que chamou de “fenômeno da repetição”, comparando movimentos atuais a períodos anteriores da história nacional e internacional. O jornalista ressaltou ainda a baixa previsibilidade como elemento estrutural do país, e lembrou que a carga tributária passou de 22% do PIB em 1987 para 37% atualmente, pressionando a atividade produtiva e ampliando a insegurança para investimentos de longo prazo.
Furlanetti concordou com a análise sobre os desafios internos e apontou que entraves regulatórios e trabalhistas seguem dificultando o ambiente de negócios. Ainda assim, avaliou que o setor imobiliário pode atravessar um ciclo mais positivo nos próximos anos, impulsionado por expectativas de queda dos juros e pela possibilidade de maior disponibilidade de crédito — fatores que tendem a estimular investimentos e ampliar oportunidades para empresas e consumidores.
Durante a discussão, Basílio Jafet reforçou a necessidade de maior equilíbrio entre os poderes, segurança jurídica e previsibilidade regulatória. Para ele, decisões recentes envolvendo temas como tributação e políticas econômicas aumentam a sensação de instabilidade e afetam diretamente a confiança dos agentes produtivos. Flávio Amary também manifestou preocupação com o avanço de medidas consideradas populistas e com a aprovação sucessiva de benefícios que, em sua avaliação, elevam custos e ampliam a carga tributária suportada pela sociedade e pelo setor privado.
O debate, permeado por perguntas do público, trouxe diferentes percepções sobre os desafios do país, mas convergiu na avaliação de que o setor imobiliário permanece como um dos pilares do crescimento econômico. Ao encerrar o encontro, Amary destacou a relevância da iniciativa: “Promover discussões qualificadas é essencial para que o mercado siga contribuindo para o desenvolvimento do Brasil. A FIABCI-BRASIL continuará estimulando diálogo, visão de longo prazo e responsabilidade na construção de um ambiente mais favorável aos investimentos.”
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