Especial – O novo MASP: um museu que se reinventa
O novo MASP: um museu que se reinventa
MASP amplia sua presença física, mas, acima de tudo, amplia sua capacidade de formar público, preservar acervos e estimular pensamento crítico
Por Julio Neves*
Após 25 anos de planejamento, o MASP inaugurou, em 28 de março de 2025, seu novo edifício, o Pietro Maria Bardi — antigo Dumont-Adams — ao lado da sede histórica na Avenida Paulista. A nova unidade já está em funcionamento e ampliou em 66% a área expositiva do museu. O túnel subterrâneo de ligação entre os dois prédios deve ser concluído em breve.
Minha relação com o MASP vem desde 1966, quando, como presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil, fui designado pelo Prefeito Faria Lima para acompanhar a conclusão da atual sede, projeto ousado de Lina Bo Bardi, que enfrentou resistência por seu formato inovador. Inicialmente restrito ao bloco superior, o museu conquistou todo o espaço com apoio político e técnico.
Entre 1994 e 2001, durante minha gestão na presidência do MASP, realizamos a revitalização completa do edifício-sede, incluindo reformas das vigas de sustentação, colocação de ar-condicionado em todos pavimentos e criação de terceiro subsolo para reservas técnicas.
Em 2004, o associado João Doria viabilizou recursos para adquirir o edifício Adams. Após muitos entraves, conseguimos aprovar, em 2008 a nova volumetria do Adams e, em 2018 o projeto final, que previu a ligação por túnel entre os prédios.
O novo prédio, com 7,8 mil m², conta com cinco galerias, laboratório de restauro, áreas de ensino, salas multiuso, café, restaurante e apoio técnico. O projeto, desenvolvido por Martin Corullon, envolveu mais de 120 profissionais e levou seis anos até sua conclusão.
Sob a liderança de Alfredo Setubal e Heitor Martins, foram captados mais de R$ 250 milhões de recursos privados, que viabilizaram a obra e toda a infraestrutura necessária.
Com a nova unidade, o museu fortalece seu papel dentro de um dos corredores culturais mais importantes do país. Ao lado de instituições como Itaú Cultural, Japan House, Sesc Paulista e Instituto Moreira Sales o MASP reafirma sua vocação de espaço público ativo, formador e aberto às transformações do tempo.
A expansão física do MASP reflete também seu compromisso contínuo com a formação de público, preservação de acervo e estímulo ao pensamento crítico. O museu reafirma seu papel de protagonista cultural no Brasil e no mundo, reinventando-se sem perder sua essência de vanguarda.
Júlio Neves* é arquiteto formado em 1955 pelo Mackenzie. Presidiu o MASP por 14 anos e, desde 2014, é presidente de honra vitalício do museu
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