"Flex stay: a nova fronteira da locação imobiliária" - O Estado de S.Paulo - Cad. Política - Pág.A8.
Flex stay: a nova fronteira da locação imobiliária
Com contratos curtos, digitalização e alta rentabilidade, modelo de aluguel flexível avança nos principais mercados globais e começa a ganhar tração no Brasil
O modelo de locação flexível, também conhecido como flex stay, está transformando o mercado imobiliário global. Com contratos que variam de dias a alguns meses, esse tipo de aluguel ocupa o espaço entre a moradia tradicional e a hospedagem hoteleira, respondendo à crescente demanda por mobilidade, digitalização e agilidade contratual.
Em mercados como Estados Unidos e Europa, operadores institucionais já adaptam seus portfólios para atender essa nova lógica. Estima-se que quase um quarto das unidades residenciais multifamily, colivings e moradias estudantis já oferecem algum tipo de locação flexível. A maioria dos gestores desses ativos planeja expandir ainda mais essa modalidade, que vem apresentando ganhos significativos em ocupação e receita.
No segmento de moradia multifamiliar, a locação flexível tem contribuído com pelo menos 10% da receita operacional líquida de muitos empreendimentos. Já em imóveis destinados a estudantes, a estratégia é usada para rentabilizar os períodos de férias, podendo representar até 20% da receita anual. Para gestores e investidores, o diferencial está na maior rotatividade aliada à possibilidade de otimização da precificação.
Nos Estados Unidos, operadores apontam aumento de mais de 30% na receita por unidade em imóveis que adotam esse modelo, sobretudo em cenários de vacância mais elevada e juros altos. A flexibilidade dos contratos permite manter a ocupação em alta mesmo diante de oscilações no mercado tradicional de locação.
Em mercados emergentes, como Índia e Sudeste Asiático, o salto é ainda mais acelerado. O número de contratos de locação flexível aumentou mais de 60% em 2025, com destaque para empresas de tecnologia, startups e nômades digitais.
A comparação internacional mostra que, embora o modelo ainda represente parcela modesta do estoque global, sua curva de crescimento é constante. Estudos recentes indicam que mais de um terço das empresas já dedicam parte relevante de seus portfólios ao modelo flexível, e essa proporção deve ultrapassar 50% até 2026.
No Brasil, o modelo começa a ganhar visibilidade entre incorporadoras e operadores imobiliários, principalmente em áreas centrais de grandes cidades. À medida que o país acompanha tendências como coliving, multifamily e o amadurecimento do mercado de renda, o flex stay surge como alternativa inteligente para atender a um consumidor que valoriza mobilidade, conveniência e liberdade contratual.
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