"O boom do self storage no Brasil" - O Estado de S.Paulo - Cad. Economia & Negócios - Pág.B1.
O boom do self storage no Brasil
Setor cresce dois dígitos ao ano e atrai atenção de investidores, impulsionado por novas formas de consumo e uso inteligente do espaço
O setor de self storage – modelo de autoarmazenamento em boxes alugados para pessoas físicas e jurídicas – cresce de forma consistente no Brasil. Ao fim de 2024, o país contava com aproximadamente 590 operações espalhadas por 108 cidades e mais de 219 mil boxes disponíveis, representando um crescimento anual de 4% em número de unidades e 13% no volume de boxes.
O uso de espaços reduzidos é uma característica marcante do perfil brasileiro: boxes de até 6 m² concentram mais de 60% da oferta nacional, e os de até 3 m² já representam cerca de 35%. Esses números refletem não apenas a limitação de espaço nas áreas urbanas, mas também o crescimento de soluções temporárias para reformas, mudanças, armazenagem sazonal ou apoio logístico para pequenos negócios e e-commerces.
A ASBRASS (Associação Brasileira de Self Storage), entidade que representa os operadores do setor no Brasil, monitora a evolução do mercado e aponta um crescimento médio de 9% a 13% ao ano na última década. Além de representar empresas e fomentar melhores práticas, a associação tem papel importante na discussão sobre regulamentação e padronização do setor.
Fora do Brasil, o modelo é amplamente consolidado. Nos Estados Unidos, são mais de 52 mil unidades em operação, com centenas de milhões de metros quadrados de área locável. Na Europa, a FEDESSA (Federation of European Self Storage Associations) reúne associações de mais de 20 países e registra uma expansão consistente: entre 2022 e 2024, o setor cresceu mais de 40% em área construída em países como Espanha e Alemanha, com destaque para o Reino Unido, líder absoluto no continente.
A comparação internacional mostra que o Brasil ainda está distante da maturidade desses mercados, mas tem seguido trajetória semelhante. A verticalização das cidades, a informalidade de pequenos negócios, a digitalização do consumo e a busca por soluções práticas e flexíveis têm sido os principais motores do setor nacional. Entre as tendências, destacam-se a automação de unidades, a expansão para cidades médias e a crescente adoção de práticas sustentáveis.
Mesmo com entraves, como a ausência de regulamentação específica e variações na tributação entre municípios, o self storage avança como uma alternativa estratégica dentro do mercado imobiliário. Mais que uma solução de armazenagem, consolida-se como parte da infraestrutura urbana do século XXI.
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