Quem faz o setor? - O mercado imobiliário português: visão global e oportunidades no segmento de alto padrão
Quem faz o setor? - O mercado imobiliário português: visão global e oportunidades no segmento de alto padrão
Eudoxios Stefanos Anastassiadis, sócio-fundador da Alfa Realty Incorporadora
Por que o mercado imobiliário português tem sido considerado tão promissor aos incorporadores brasileiros?
Eudoxios: O mercado imobiliário português, desde o ano de 2015, tem sido uma porta de entrada na Europa de investimentos brasileiros. Com um crescimento notável nos últimos anos, impulsionado tanto pelo investimento estrangeiro como pela procura interna, o setor continua a atrair atenções e a gerar oportunidades no país. Em 2023, foram transacionadas cerca de 160 mil habitações, o que reflete a vitalidade deste mercado. Por outro lado, a produção de aproximadamente 24 mil unidades novas e retrofits, em 2024, corresponde a menos da metade da demanda orgânica presente no país – fatores que, consequentemente, têm elevado os preços por lá há mais de 10 anos.
Quais são as regiões que mais se destacam nesse escopo de investimento?
Eudoxios: Lisboa e Porto permanecem como centros de grande interesse, com uma procura robusta por habitação e espaços comerciais, enquanto o Algarve mantém o seu fascínio como destino de eleição para segundas residências. Mas pode-se dizer que Lisboa e Algarve são os locais onde o segmento de alto padrão mais tem se destacado e demonstrado resiliência, impulsionado pela procura por exclusividade, qualidade e segurança, com projetos de luxo que oferecem vistas panorâmicas e design sofisticado. Ainda assim, as oportunidades não se limitam a estes centros tradicionais. Regiões como a Comporta e o Douro também têm ganhado destaque, atraindo investidores e compradores que procuram experiências únicas e paisagens deslumbrantes.
E quanto aos desafios existentes por lá, quais seriam os principais a quem deseja investir no setor imobiliário?
É certo que este crescimento vivido por lá enfrenta desafios, como a inflação persistente e as taxas de juros elevadas, que podem impactar a acessibilidade à habitação econômica e exigir soluções desafiadoras dos incorporadores e governo. Outro ponto de atenção é a morosidade das aprovações de novos empreendimentos. Há prazos que podem levar facilmente mais de 5 anos. Ainda assim, o mercado imobiliário português oferece um panorama bastante promissor para o investidor local ou estrangeiro, com grande espaço para crescimento nos próximos anos. No segmento de alto padrão, a procura por exclusividade e a aposta na inovação e sustentabilidade abrem portas para investidores e compradores que procuram retornos sólidos médios de 10% a 17% ao ano em moeda forte. Portanto, com os devidos cuidados, vale a pena, sim, diversificar os investimentos na “terrinha”. Portugal é com certeza lugar de estabilidade, paz e muitas oportunidades no setor imobiliário.
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