"Morar é preciso, bem-estar é fundamental!" - O Estado de S.Paulo - Cad. Internacional - Pág. A14.
Morar é preciso, bem-estar é fundamental!
Crescimento populacional em áreas urbanas exige um aumento significativo na oferta de moradias, melhorias em infraestrutura, tecnologias e adoção de práticas sustentáveis
Por Juan Diaz*
As cidades médias brasileiras estão crescendo mais rapidamente do que as grandes metrópoles. Esse movimento migratório do campo para as áreas urbanas, onde 85% da população do país já vivia em 2023, impõe três grandes desafios. O primeiro é ampliar a oferta de moradias para atender ao aumento da demanda. O segundo é dimensionar a infraestrutura aos índices de expansão demográfica. E o terceiro é garantir que tudo isso seja realizado de maneira sustentável.
É crucial observar como o setor da construção e as incorporadoras estão reagindo a esse cenário. O mercado de edificação de moradias movimentou US$ 27,95 bilhões no Brasil em 2023, com expectativa de crescimento entre 2% e 4% em cada um dos próximos anos. O programa “Minha Casa, Minha Vida” terá participação expressiva, com o lançamento de 100 mil residências até 2026. A questão ambiental também está em evolução, com a construção de imóveis sustentáveis crescendo a uma taxa de 10% ao ano.
Além disso, avanços em inovação são essenciais tanto para a produtividade como para a sustentabilidade nas construções. A automação no setor pode reduzir custos em até 20% e melhorar a eficiência em mais de 50%. É notável que 60% das construtoras de grande porte já utilizem o BIM (Building Information Modeling), integrando processos e tecnologias em toda a obra. Quanto à infraestrutura, trata-se de um mercado significativo para as construtoras de grande porte, com previsão de crescimento de 20% em projetos de parcerias público-privadas (PPP) nos próximos cinco anos.
O futuro da construção será impactado por três grandes fatores. O primeiro diz respeito às influências de outros setores, pois o segmento é altamente impactado pelas mudanças macroeconômicas na sociedade, que alteram critérios e o poder de compra dos consumidores. Além disso, áreas como serviços financeiros, energia, automotiva, tecnologia e comunicação têm alto grau de influência no processo de tomada de decisão.
O segundo fator refere-se à adoção de novas tecnologias, que avança em ritmos diferentes para cada setor, mas algumas emergentes afetarão o mercado de construção de maneira exponencial nos próximos cinco anos. Isso permitirá que as empresas do setor obtenham ganhos internos (eficiência operacional e agilidade) e externos (como a imagem de marca).
O terceiro fator de impacto é que o mercado será cada vez mais influenciado pelas novas gerações, com presença no ambiente de trabalho e potencial de compra, que trarão uma visão diferente sobre o que é relevante na aquisição de imóveis. Este processo será algo muito diferente e mais complexo do que estamos acostumados a ver até recentemente.
Em resumo, a construção civil no Brasil enfrenta um futuro repleto de desafios e oportunidades. As empresas que conseguirem integrar sustentabilidade, inovação e uma visão além dos setores tradicionais estarão mais bem posicionadas para transformar o potencial promissor em realidade concreta, garantindo que, ao morar, o bem-estar seja fundamental.
*Juan Diaz é sócio de Deal Advisory e Estratégia na KPMG do Brasil
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