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"A hora é do centro de São Paulo!" - O Estado de S.Paulo - Cad. Metrópole - pág. A12.


A hora é do centro de São Paulo!
 
Região está passando por transformações significativas que prometem beneficiar a urbanização e o setor imobiliário, além de melhorar a experiência de moradores e turistas da cidade
 
 
Por Caio Calfat*
 
O centro de São Paulo vive um momento único: leis de incentivo se aliam a um olhar especial do poder público e de empresas privadas que expandem as possibilidades de inaugurar um novo capítulo na região. O movimento atual de revitalização é nítido, plural e ganha força com marcos inéditos.
 
A começar pela criação, em janeiro, do Distrito Turístico Urbano do Centro de São Paulo, que incentiva o desenvolvimento econômico e requalifica a área para visitação.
 
Participo, como convidado, do Conselho Gestor do Distrito Turístico Urbano do Centro de São Paulo, junto a membros do meio político, representantes de órgãos públicos, entidades empresariais e ONGs, com o objetivo de apresentar a visão técnica em relação ao setor turístico e imobiliário do distrito. Incentivar a moradia é importante, já que 60% dos prédios vazios no centro são residenciais. Recuperá-los e ocupá-los é uma forma eficaz de desenvolver e proteger seu entorno.
 
Isso destaca a importância do programa Requalifica Centro, criado em 2021 e que oferece benefícios fiscais para empresas que atuam no retrofit de prédios históricos.
 
O terceiro pilar que sustenta esse desenvolvimento é o PIU – Programa de Intervenção Urbana – Região Central. Ele reúne estudos técnicos voltados ao ordenamento e à reestruturação de áreas urbanas subutilizadas e com potencial de transformação.
 
A própria transferência da sede do Governo do Estado de São Paulo do Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, para os Campos Elíseos, no Centro, marca esse cenário de mudança.
 
A estes movimentos somam-se bares e restaurantes consolidados que já requalificaram certas áreas e vêm mudando seu status. O potencial cultural se abre ainda mais com a recuperação de prédios históricos, como o Teatro Municipal, Mercado Municipal e a Pinacoteca do Estado.
 
É claro que ainda existem obstáculos, a começar pelo desafio socioeconômico, incluindo a realocação das pessoas que vivem em situação de rua, que é tema constante de debate e, para o qual, a verdade é que não existe uma solução pronta.
 
Entre as várias possibilidades, um caminho que me agrada é o que foi trilhado pela cidade do Porto, em Portugal. Lá, a Porto Vivo SRU, uma parceria público-privada, foi responsável pelo projeto de reabilitação urbana do Centro Histórico do Porto, iniciado em 2012 e com conclusão prevista para 2027.
 
Uma das primeiras ações foi levar as famílias que habitavam construções milenares às margens do rio Douro para imóveis cedidos pelo governo. O Plano Diretor também definiu as regras de reocupação das construções históricas, balanceando residências, comércio, serviços e equipamentos turísticos, ao mesmo tempo em que dotou a área de infraestrutura mais moderna.
 
Acredito na importância de somar olhares para chegar a conclusões democráticas. É por isso que o Secovi-SP mantém grupos de trabalho nos quais a requalificação do centro é tema recorrente, inclusive, com a contratação, em 2017, do urbanista Jayme Lerner para proposição de um novo Plano Diretor para o Centro de São Paulo, Centro Novo. Já a Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil (ADIT) possui uma de suas 13 comissões temáticas dedicada à Regeneração Urbana.
 
O conjunto é promissor e indutor de desenvolvimento. O que precisamos agora é aproveitar esse momento para criarmos um Plano Diretor de recuperação do centro. A esperança é que, de 5 a 10 anos, essa nova cara comece a se consolidar e que os bons resultados garantam a continuidade dos projetos.
 
A partir daí, será um caminho sem volta: um novo centro para paulistanos e visitantes.
 
*Caio Calfat é vice-presidente de Assuntos Turístico-Imobiliários do Secovi-SP, presidente da Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil (ADIT) e fundador e diretor-geral da Caio Calfat Real Estate Consulting
 
 

 



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