"Setor imobiliário como aliado para o desenvolvimento das cidades " - O Estado de S.Paulo - Cad. Economia e Negócios - pág. B12.
Setor imobiliário como aliado para o desenvolvimento das cidades
Mais ofertas imobiliárias em lugares estratégicos podem contribuir significativamente com questões de mobilidade e segurança
O desenvolvimento urbano é uma peça-chave na construção das cidades. Sendo uma questão complexa, seu planejamento demanda uma abordagem holística, que leve em conta uma série de fatores interligados que refletem diretamente no dia a dia da população.
No cerne disso tudo, encontram-se dois elementos essenciais: mobilidade e segurança. Não há dúvidas de que investimentos inteligentes nesses dois pilares resultam em ambientes urbanos cada vez mais interessantes para diferentes classes sociais.
A mobilidade, quando eficiente, não só facilita o acesso aos diferentes pontos da cidade, mas também promove a integração social e o desenvolvimento econômico. Um sistema de transporte coletivo de qualidade, aliado a infraestruturas para pedestres e ciclistas, contribui para reduzir o congestionamento do tráfego, as emissões de poluentes e os acidentes de trânsito.
Por outro lado, a segurança também é um fator determinante para garantir que as pessoas se sintam confortáveis e protegidas ao circular pelo espaço urbano, deixando de lado seus carros e dando preferência aos transportes coletivos, por exemplo. Ruas bem iluminadas, espaços públicos bem cuidados e presença policial eficiente são alguns dos elementos essenciais para prevenir a criminalidade e promover a sensação de segurança nos diferentes bairros.
Porém, nem sempre é possível ter acesso a toda essa eficiência, dependendo da região e cidade escolhida para se viver. Mas uma coisa é certa: o setor imobiliário precisa ser visto como uma chave facilitadora para algumas dessas problemáticas.
A construção de grandes prédios residenciais, em áreas estratégicas e centrais da cidade, por exemplo, pode favorecer o acesso aos serviços essenciais, como escolas, hospitais e áreas de lazer, entre outros, reduzindo o tempo de deslocamento e promovendo um estilo de vida mais equilibrado.
Prédios mais altos, especialmente nos grandes centros, permitem moradia para um maior número de indivíduos e encurtam essas distâncias para boa parcela da população, que conseguem, assim, evitar longas jornadas diárias.
Com mais pessoas perto de transportes como metrô, terminais de ônibus e trens, as distâncias passam a ser menores e o acesso ao trabalho, lazer e serviços torna-se mais rápido e eficiente, contribuindo com menos impactos e maior bem-estar. Em 2023, cerca de 36% da população brasileira passava mais de uma hora por dia em deslocamento para realizar atividades de rotina, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ainda de acordo com o estudo, metade dessas pessoas afirmou ter a qualidade de vida diretamente afetada pelo tempo nesses veículos.
Ademais, ao investir em grandes empreendimentos imobiliários que oferecem uma variedade de opções de moradia, desde apartamentos compactos até unidades familiares maiores, é possível atender às diversas necessidades e preferências da população, integrando todos nesses espaços.
Não só isso, essas ofertas influenciam positivamente em outra questão urbana: a favelização. Mais pessoas passam a ter acesso a opções de habitação bem localizada, o que reduz a demanda por assentamentos informais em regiões periféricas e contém o crescimento desordenado das favelas.
Portanto, oferecer alta acessibilidade de moradia em áreas centrais e bem conectadas não apenas reduz engarrafamentos, emissões de gases poluentes e disparidades socioeconômicas, mas também fortalece o senso de comunidade e pertencimento entre os moradores, revitalizando cada vez mais as cidades, seja em qualquer lugar do mundo.
Diante desses fatos, o setor não pode ser visto como um “monstro”, mas sim como um facilitador nos diversos desafios que as cidades enfrentam. Evidentemente, também podemos ser aliados na busca por soluções que promovam o desenvolvimento urbano.
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