"O potencial lucrativo dos investimentos em imóveis de varejo" - O Estado de S.Paulo - Cad. Metrópole - pág. A16.
O potencial lucrativo dos investimentos em imóveis de varejo
As demandas das varejistas por espaços físicos ainda podem ser consideradas um ambiente fértil para investidores imobiliários
Entre os diversos tipos de investimentos disponíveis no setor imobiliário, os imóveis de varejo surgem como opções particularmente atrativas. Lojas e shoppings centers são exemplos de formatos tradicionais que se enquadram no conceito de Retail Real Estate, que engloba os imóveis alugados e utilizados pelas varejistas para se conectar fisicamente com os consumidores.
Sendo o varejo uma parte essencial da economia, que representa uma ampla gama de segmentos e serviços, é de extrema importância que grandes marcas ocupem espaços estratégicos. Com isso, a relação entre esses dois mercados é, sem dúvida, de interdependência, e essa sinergia deve ser explorada de forma inteligente.
No Brasil, o varejo encerrou 2023 com um crescimento em relação ao ano anterior de 1,7%, um sinal positivo. Além disso, o 1º trimestre deste ano aponta para um crescimento de 6% nas vendas no varejo, segundo o Índice Antecedente de Vendas do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IAV-IDV).
Com o aumento das vendas, os varejistas tendem a expandir suas operações e abrir novas lojas para atender à crescente demanda dos consumidores, o que, consequentemente, impulsiona a busca por locações comerciais e valoriza esse tipo de propriedade.
Investir em imóveis de varejo, portanto, pode representar uma oportunidade para obter retornos sólidos e consistentes. Sei que você agora deve estar se perguntando: “Mesmo com a alta do e-commerce?” E a resposta é sim!
O fato é que, apesar de uma “ameaça” ao negócio imobiliário, muitos consumidores ainda valorizam veementemente a experiência de realizar compras em lojas físicas. E essa realidade nos garante uma demanda consistente por imóveis, especialmente em áreas urbanas e centros comerciais bem localizados.
Essa preferência pelo ambiente físico, que voltou com tudo pós-pandemia, se deve, em parte, à necessidade humana de interação social e à busca por experiências sensoriais que o comércio eletrônico não pode oferecer, apesar de toda a tecnologia. Não só isso, muitos consumidores acham importante poder ver, tocar e experimentar os produtos antes de fazer uma aquisição.
E, para além desses formatos tradicionais de varejo, existem ainda oportunidades que seguem outra tendência de consumo, que podem ser interessantes para o imobiliário. O conceito de Retail Parks, que são os espaços que combinam lojas de varejo, restaurantes e entretenimento em um ambiente amplo e acessível, emerge como uma abordagem mais moderna na hora de investir.
Convenhamos, o que não faltam são possibilidades quando pensamos na interação desses dois mercados. Mas, apesar das possibilidades, investir nesse tipo de projeto também apresenta desafios. É preciso gerenciar esses espaços de perto, trabalhando ativamente em questões como manutenção, locação e administração de inquilinos.
Em síntese, investimentos nesse sentido prometem continuar sendo uma estratégia lucrativa e inovadora, e isso não podemos negar. Além de uma fonte estável de renda por meio de contratos de locação de longo prazo, investimentos em imóveis de varejo permitem maior segurança, devido à natureza essencial do setor de varejo na economia, além de oferecer rentabilidade superior aos residenciais e gerar mais diversificação do portfólio de investimentos.
Esse é um mercado forte e que, apesar de altos e baixos, ainda se mantém positivo e com um potencial de retorno significativo.
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