"Mesa Redonda debate perspectivas políticas e econômicas para o Brasil em 2024 " - O Estado de S.Paulo - Cad. Negócios - pág. B8.
Mesa Redonda debate perspectivas políticas e econômicas para o Brasil em 2024
Com a presença do sociólogo Demétrio Magnoli e do engenheiro e professor Ricardo Gandour, evento promovido por FIABCI-BRASIL e Secovi-SP possibilita troca de conhecimento entre grandes nomes do mercado imobiliário
Todos os anos, FIABCI-BRASIL e Secovi-SP promovem uma Mesa Redonda para encerrar o ciclo e discutir tendências e cenários futuros importantes para o setor imobiliário.
Neste ano, dois importantes estudiosos, Demétrio Magnoli, sociólogo e conselheiro do CEBRI (Centro Brasileiro de Relações Internacionais); e Ricardo Gandour, jornalista, engenheiro civil e professor na ESPM, abordaram cenários macroeconômicos e políticos mundiais para apresentar as principais perspectivas para o Brasil em 2024.
Além deles, a mesa contou também com a participação de Flavio Amary, presidente da FIABCI-BRASIL, e Rodrigo Luna, presidente do Secovi-SP.
Definir quais os interesses estratégicos vitais foi uma das conclusões fundamentais apresentadas, para que a política e a economia de um país vigorem. Nesse contexto, foram discutidos cenários globais e como construir uma política externa assertiva.
Apesar de o Brasil, ao longo dos anos, ter construído uma relação externa positiva, em determinados momentos históricos, a urgência ideológica sobrepõe-se aos reais objetivos do país. A primeira vez que isso se deu foi por volta da década de 60, na política externa independente, de Eduardo Dantas, período em que o País se aproximou muito do chamado terceiro mundo. E essa política externa, com viés mais ideológico do que de interesses, reapareceu nos últimos governos do país.
Entretanto, segundo Demétrio, é importante destacar que essa doutrina pode ser mais problemática ao ser aplicada hoje, e nos próximos anos, devido a cenários conflituosos vividos em todo o mundo, como a guerra na Ucrânia e a clara atenuação do antagonismo entre Estados Unidos e China.
Ainda no tema de políticas globais, os palestrantes entraram no assunto mudanças climáticas versus catástrofes naturais e eventuais sumiços de regiões do globo terrestre. Nesse sentido, discutiu-se a importância não só de reavaliar fontes energéticas, mas também de buscar adaptações que envolvem corridas por recursos naturais.
Esse tema ganha um protagonismo em todas as discussões globais. Sendo assim, será interessante que o governo comece a pensar na criação de programas que atraiam para o Brasil ramificações dessas cadeias de suprimento. Por exemplo, somos um país com alta oferta de lítio, metal imprescindível para fabricação de baterias e fomento da indústria de carros elétricos. Como aproveitar melhor esse recurso interna e externamente?
Paralelamente, além das riquezas em recursos naturais, o Brasil também tem vasto potencial para contribuir nesse aspecto e apresentar soluções inovadoras a partir da firme estrutura científica, com universidades que funcionam e da localização que configura uma segurança geopolítica estratégica.
Para concluir, Demétrio sinaliza fortes oscilações entre curtos períodos de crescimento e recessão. Isso em função da instabilidade geopolítica global. Ou seja, fatores não econômicos interferindo significativamente na economia. Há um fenômeno que parece estrutural e é muito marcante nesse processo: a redução muito intensa nas taxas de crescimento na economia da China.
Antes, baseada na incorporação extensiva de mão de obra, agora, a nação se vê obrigada a crescer com base no aumento da produtividade. Fator que fatalmente impactará a economia global.
Ao final da mesa, o presidente da FIABCI-BRASIL agradeceu a todos os envolvidos e, principalmente, a presença de Demétrio, que trouxe as principais reflexões ao debate, reforçando a importância dessa troca de conhecimento, não apenas para ajudar a pensar ações efetivas no setor, mas também para promover um enriquecimento cultural e criar uma visão global da atualidade.
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