"Mulheres na arquitetura: conheça grandes projetos ao redor do mundo" - O Estado de S.Paulo - Cad. Negócios - Pág. B8
Mulheres na arquitetura: conheça grandes projetos ao redor do mundo
Nomes como Jeanne Gang, Elizabeth Diller, Zaha Hadid e Lina Bo Bardi são destaques no setor

Ao observarmos um monumento, muitas vezes, não sabemos exatamente quem foram as pessoas responsáveis por sua criação. O fato é que a arquitetura, assim como várias outras profissões, tem possibilitado que as mulheres atinjam cada vez mais destaque e ocupem papéis significativos ao longo da história.
Ao redor do mundo, existem diversas obras que contam com o protagonismo feminino. Então, que tal mergulhar um pouco conosco neste fascinante universo e descobrir mais sobre algumas mulheres inspiradoras e suas notáveis contribuições?
É impossível falar do tema sem mencionar o Aqua Tower. Localizada em Chicago, nos Estados Unidos, o edifício foi idealizado pelo Studio Gang, de Jeanne Gang, e é considerado o primeiro arranha-céu da história a ser projetado por uma mulher.
Construído em 2010, o prédio de 82 andares e mais de 250 metros de altura apresenta uma fachada em forma de ondas, proporcionando uma paisagem única à cidade. A edificação oferece uma variedade de possibilidades ao público, contando com hotel, escritórios, apartamentos para aluguel, condomínios e estacionamento, além de ter um dos maiores telhados verdes de Chicago.
Todo o projeto visa facilitar as conexões entre as pessoas e a cidade. Pensando nisso, a torre se destaca como um dos poucos edifícios altos que criam uma comunidade em sua fachada. Estrategicamente, a arquiteta trabalhou para que cada laje oferecesse terraços ao ar livre, proporcionando uma linha de visão que possibilitasse a interação entre os vizinhos, além de vistas para alguns pontos de referência da cidade.
Não muito longe dali, na cidade de Nova York, também é possível encontrar o High Line Park, outro projeto elaborado pelo escritório Diller Scofidio + Renfro, responsável por diversos trabalhos relevantes. Uma das sócias é a arquiteta Elizabeth Diller, que já figurou no ranking das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Time.
O parque público, que integra o portfólio da profissional, surgiu a partir da transformação de uma antiga ferrovia abandonada. Com aproximadamente 2,4 quilômetros de extensão, ele se tornou um símbolo de revitalização urbana na região. O detalhe mais interessante é que o parque está suspenso, construído sobre a própria estação de trem em vez de estar no chão.
Para se ter uma ideia do impacto da obra, estima-se que o High Line tenha estimulado mais de US$ 5 bilhões em desenvolvimento urbano e tenha gerado 12 mil novos empregos para a população local. Isso apenas confirma a magnitude do trabalho, que transformou uma infraestrutura urbana obsoleta em um ambiente de influência e importância.
Já, ao explorar a cidade de Baku, capital do Azerbaijão, é possível se deparar com o Heydar Aliyev Center, um centro cultural projetado pela arquiteta iraquiana Zaha Hadid, primeira mulher a receber o Prêmio Pritzker, considerado o mais importante reconhecimento da arquitetura e urbanismo.
Sem dúvidas, o espaço trouxe uma mudança significativa para a arquitetura regional, que até então tinha a maioria de suas construções baseada no estilo da extinta União Soviética. A obra é toda revestida de concreto armado e poliéster, apresentando um design moderno que estabelece uma relação contínua e fluida entre o interior do edifício e a praça ao seu redor. O seu principal objetivo é expressar as sensibilidades culturais do país e o otimismo de uma nação voltada para o futuro.
No Brasil, também temos como destaque o famoso Museu de Arte de São Paulo (MASP), considerado um dos cartões-postais da cidade. Poucos sabem, mas o edifício contou com as projeções da arquiteta Lina Bo Bardi. O prédio, com aproximadamente 10 mil metros quadrados, está localizado na Avenida Paulista e possui uma base que inclui uma praça pública.
A arquiteta também foi responsável pelo projeto do Sesc Pompeia, localizado na zona Oeste de São Paulo. Com sua originalidade, o edifício foi eleito uma das 25 obras arquitetônicas mais importantes do pós-guerra pelo jornal The New York Times.
Esses cases nos mostram que a arquitetura é um campo no qual talento e criatividade podem transcender barreiras e criar legados duradouros. E, é claro, servem como referência para futuras gerações de mulheres que buscam contribuir para o futuro das cidades e suas construções.

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