"Nômades digitais: Uma nova forma de viver, morar e trabalhar" - O Estado de S.Paulo - Cad. Metrópole - Pág. A19
Nômades digitais: Uma nova forma de viver, morar e trabalhar
Com visto destinado ao público, países como Alemanha, Itália, Portugal e Brasil
são opções para pessoas que vivem o novo estilo de vida

Das diversas mudanças que a pandemia de Covid-19 proporcionou, uma delas foi a relação da sociedade com o mundo, sua moradia e com o trabalho. A percepção da vida passou a ser diferente e a busca por flexibilidade na vida profissional tornou-se prioridade para muitas pessoas. Nesse cenário, o nomadismo, estilo de vida já conhecido na história, retorna como uma das formas para solucionar essas questões.
Os “nômades digitais” são conhecidos como aqueles que passaram a levar uma vida sem uma casa fixa e com um trabalho anywhere office. Atualmente existem no mundo cerca de 35 milhões de pessoas que vivem nesse formato. Essa prática permite a variados povos a vivência em diferentes lugares, desde que exista a conexão com a internet e um computador para que as atividades profissionais possam ser desempenhadas.
Pensando nisso, muitos países passaram a pensar em maneiras para facilitar a entrada desse grupo em seus territórios. Recentemente, os vistos para nômades digitais revelaram-se benéficos tanto para os interessados, quanto para os próprios países. Diferente do visto para turista, a nova maneira de viajar permite até um ano de estadia no local, além de possibilidade de renovar a permissão de estadia.
Atualmente, mais de 25 países contam com o visto. Na Europa, países como Alemanha, Croácia, Itália, Islândia, Portugal, Letônia e Estônia já facilitam a entrada de nômades. A lista ainda conta com nomes como Argentina, Bahamas, Colômbia, México, Grécia, Dubai e Barbados, entre outros.
No Brasil o visto temporário foi criado em setembro de 2021 e regulamentado em janeiro de 2022. Assim, o país também é um destino interessante para imigrantes que se categorizam no grupo, mas para isso, a pessoa deve comprovar vínculo empregatício remoto e renda mensal.
A Espanha é outro país que busca se desenvolver no programa, e ao que tudo indica, o seu visto de nômade digital entrará em vigor a partir de janeiro deste ano. Com o objetivo de atrair pessoas de diferentes partes do mundo e desenvolver-se a partir de investimentos na região, o visto faz parte da Lei das Startups do país.
Para se adaptar à nova realidade, a tendência é que os governos de diferentes nações estudem formas para regulamentar leis que atendam esse novo padrão de vida. Sem residência permanente, os nômades digitais podem movimentar a economia e o turismo, além de expandir mais investimentos e oportunidades nos mercados locais e global.
No mercado imobiliário a oportunidade de inovações e investimentos são infinitas. A mudança no modelo de moradia, por exemplo, já caminha para uma transição que visa corresponder da melhor forma ao contexto.
De início, fatores como os contratos de aluguéis e as burocracias presentes nesse processo necessitam de adaptações que beneficie o locador e o locatário, além de também se adequarem ao mundo digital. Já os espaços alugados, precisam estar alinhados com as necessidades tecnológicas do nômade.
As perspectivas são de mais desenvolvimento para as cidades que recebem esses indivíduos e para os próprios imóveis, que agora, mais do que nunca, podem oferecer ao público novos formatos de moradia. Não há como negar que as oportunidades de investimentos para essa nova maneira de viver, morar e trabalhar são imensuráveis.
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