"Você já ouviu falar em vancouverismo?"
Expressão vem da cidade de Vancouver, no Canadá, referenciada como exemplo em planejamento urbano, sustentabilidade, habitabilidade e economia diversificada
Estabelecer um novo tipo de vida nas cidades é a essência do vancouverismo, expressão adotada para referenciar iniciativas de planejamento urbano pautadas por zoneamento sustentável à criação de bairros completos e conectados.
Vancouver, no Canadá, é referenciada como exemplo em sustentabilidade, habitabilidade e economia diversificada há décadas, tendo estabelecimento um novo tipo de vida no local, com ruas envolventes, ativas e vida urbana dinâmica, além de densidade equilibrada e muitos parques e espaços públicos (30 hectares novos), combinados com formas sustentáveis de transporte, ou seja, mais caminhada e ciclismo, com acessibilidade universal – cerca de 70% de todas as viagens na área central de Vancouver são feitas de forma não motorizada.
Também foram alteradas as regras de planejamento urbano e esquemas de zoneamento, oferecendo aos empreendedores a opção de construir condomínios residenciais em edifícios altos.
Grandes projetos imobiliários foram objeto de debates públicos, para os quais seriam oferecidas isenções das regras de planeamento em troca da construção de habitação social ou equipamentos públicos. Essa foi, na verdade, a inspiração para a operação interligada implantada na cidade de São Paulo e, depois, transformada na outorga onerosa do direito de construir, instrumento urbanístico instituído no Estatuto da Cidade, em 2001.
Como enfatiza Larry Beasley, ex-diretor de planejamento da cidade de Vancouver, foi necessária uma exposição clara e sem preconceitos para a sociedade acerca da necessidade do adensamento. Segundo ele, pensou-se em reverter a ideia negativa preconcebida sobre adensamento. As pessoas precisavam entender a necessidade da maior densidade, mas ficarem cientes de que a qualidade de vida deveria estar assegurada.
A etapa atual é de “visualizar o futuro”, com tendências e previsões que podem impactar o resultado da cidade que está sendo planejada. O objetivo é identificar o melhor caminho a ser seguido, por meio do Planning Vancouver Together.
Entre as principais metas previstas estão transformar processos e práticas para abrir espaço para que as pessoas e comunidades marginalizadas avancem para o centro; garantir que as decisões tomadas hoje não prejudiquem as gerações de amanhã; desenvolver uma cidade acessível, com uma moradia diversificada e segura para cada residente; criar bairros mais fáceis de percorrer e completos, conectados em toda a cidade para garantir que cada morador possa atender às suas necessidades diárias sem depender de transporte particular; preservar a beleza natural do lugar, reparar e aprimorar os sistemas ecológicos para as gerações futuras; gerenciar intencionalmente o crescimento e alinhar os esforços regionalmente; construir maior transparência nos processos de tomada de decisão pelo governo local, com consulta à comunidade; e monitorar resultados e aprender, adaptar e melhorar constantemente os sistemas.
Mas, seria esse um modelo a ser copiado em cidades como São Paulo? A semelhança no que diz respeito à importância da conscientização sobre a necessidade do adensamento é evidente, mas é clara também a demanda por estratégias de desenvolvimento que garantam qualidade de vida como premissa primordial à adoção do modelo. Parece mesmo ser um padrão a ser repetido, desde que sejam feitas as adaptações necessárias a cada caso específico.
Com base em artigo assinado por Claudio Bernardes, 2º vice-presidente do Secovi-SP e presidente da Ingai Incorporadora, publicado pela Folha de S.Paulo no último dia 22

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