Redes Sociais
  Home - Notícias - Newsletters

Newsletters

Quem faz o setor – Mulheres que constroem: Elisa Rosenthal


Elisa Rosenthal é diretora presidente do Instituto Mulheres do Imobiliário, colunista na Revista HSM Management, Conecta Imobi Mundo Zumm e Exame Invest e autora de “Proprietárias: A ascensão da liderança feminina no setor imobiliário”

 

 

Na sua opinião, de que forma questões contemporâneas, como pandemia, impactam no crescimento de mulheres no setor da construção civil?

Os períodos de guerras e pós-guerras trouxeram mudanças estruturais significativas, especialmente na reconstrução das cidades, quando as mulheres precisaram assumir responsabilidades e papéis sociais que antes cabiam apenas aos homens. Foram elas, por exemplo, que começaram a retirar as primeiras pedras dos escombros, abrindo caminho para a reconstrução das cidades, enquanto os homens ainda estavam nos campos de batalha. A guerra silenciosa que vivemos durante a pandemia trouxe impacto em diversos campos, e na construção não foi diferente. Com a ascensão das vendas e índices históricos de crescimento no setor, os impactos deste "pós-guerra" são sentidos pelo mercado imobiliário e da construção especialmente agora, durante o período de desenvolvimento e entrega das promessas de vendas dos últimos anos. O aumento da presença de mulheres nos canteiros de obras e nas construções é um reflexo também destas mudanças históricas.

Qual o maior desafio encontrado hoje no mercado pelas profissionais?

Nesse contexto, que retomamos a necessidade de debater a presença das mulheres na construção civil e o fato de o tema estar em ascensão, não diminui o preconceito de gênero, que continua como um dos maiores obstáculos para a absorção destas trabalhadoras no mercado, mesmo quando elas são igualmente ou até mais capacitadas que os homens em algumas funções. O combate a este preconceito e o incentivo pelos poderes público e privado são fundamentais para que esta barreira seja quebrada. Em tempos de crise, profissionais capacitadas são aliadas fundamentais para o fortalecimento do setor.

O que tem sido feito para reduzir esta barreira?

Iniciativas promovidas por empresas e entidades são essenciais para estimular o aumento da representatividade feminina dentro e fora do canteiro de obras e essenciais também para preparar estes ambientes para a nova realidade. Tramita na Câmara de Deputados o projeto de lei 5358/2020, prevendo que pelo menos 5% das vagas em cargos operacionais na construção civil sejam destinadas às mulheres. O projeto já foi aprovado pela Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres e aguarda apreciação da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público (CTASP). Em mercados internacionais, como nos Estados Unidos, a presença feminina também avança, lentamente. A Califórnia, assim como o Brasil, enfrenta, atualmente, uma escassez significativa de trabalhadores da construção, e as mulheres continuam sub-representadas nos negócios. O projeto de lei 1115, que expande e melhora as oportunidades para as mulheres na construção civil, foi aprovado pelo Senado estadual em 23 de maio de 2022 por 28 votos a 1 e agora está na Assembleia americana.
 

De que forma estas medidas são capazes de auxiliar na diminuição do preconceito de gênero no setor?

Estes impulsos são inspiradores e exemplos motivadores importantes para continuar o trabalho de muitas organizações dedicadas à causa, como o Instituto Mulheres do Imobiliário, que promove cursos e consultorias em parceria com a Concreto Rosa, capacitando mulheres para atuarem na construção civil e instruindo os canteiros e empresas sobre a nossa presença. Está na hora de aprimorar cada vez mais a forma como podemos potencializar resultados, ampliando a presença de profissionais com habilidades complementares e abrindo oportunidades para um canteiro de obras mais seguro, capacitado e diverso.

 

 



Retornar
FIABCI-BRASIL - Rua Dr. Bacelar, 1.043 - Mezanino - Vila Mariana - CEP: 04026-002 - São Paulo / SP