
Na sua opinião, de que forma questões contemporâneas, como pandemia, impactam no crescimento de mulheres no setor da construção civil?
Os períodos de guerras e pós-guerras trouxeram mudanças estruturais significativas, especialmente na reconstrução das cidades, quando as mulheres precisaram assumir responsabilidades e papéis sociais que antes cabiam apenas aos homens. Foram elas, por exemplo, que começaram a retirar as primeiras pedras dos escombros, abrindo caminho para a reconstrução das cidades, enquanto os homens ainda estavam nos campos de batalha. A guerra silenciosa que vivemos durante a pandemia trouxe impacto em diversos campos, e na construção não foi diferente. Com a ascensão das vendas e índices históricos de crescimento no setor, os impactos deste "pós-guerra" são sentidos pelo mercado imobiliário e da construção especialmente agora, durante o período de desenvolvimento e entrega das promessas de vendas dos últimos anos. O aumento da presença de mulheres nos canteiros de obras e nas construções é um reflexo também destas mudanças históricas.
Qual o maior desafio encontrado hoje no mercado pelas profissionais?
Nesse contexto, que retomamos a necessidade de debater a presença das mulheres na construção civil e o fato de o tema estar em ascensão, não diminui o preconceito de gênero, que continua como um dos maiores obstáculos para a absorção destas trabalhadoras no mercado, mesmo quando elas são igualmente ou até mais capacitadas que os homens em algumas funções. O combate a este preconceito e o incentivo pelos poderes público e privado são fundamentais para que esta barreira seja quebrada. Em tempos de crise, profissionais capacitadas são aliadas fundamentais para o fortalecimento do setor.
O que tem sido feito para reduzir esta barreira?
Iniciativas promovidas por empresas e entidades são essenciais para estimular o aumento da representatividade feminina dentro e fora do canteiro de obras e essenciais também para preparar estes ambientes para a nova realidade. Tramita na Câmara de Deputados o projeto de lei 5358/2020, prevendo que pelo menos 5% das vagas em cargos operacionais na construção civil sejam destinadas às mulheres. O projeto já foi aprovado pela Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres e aguarda apreciação da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público (CTASP). Em mercados internacionais, como nos Estados Unidos, a presença feminina também avança, lentamente. A Califórnia, assim como o Brasil, enfrenta, atualmente, uma escassez significativa de trabalhadores da construção, e as mulheres continuam sub-representadas nos negócios. O projeto de lei 1115, que expande e melhora as oportunidades para as mulheres na construção civil, foi aprovado pelo Senado estadual em 23 de maio de 2022 por 28 votos a 1 e agora está na Assembleia americana.
De que forma estas medidas são capazes de auxiliar na diminuição do preconceito de gênero no setor?
Estes impulsos são inspiradores e exemplos motivadores importantes para continuar o trabalho de muitas organizações dedicadas à causa, como o Instituto Mulheres do Imobiliário, que promove cursos e consultorias em parceria com a Concreto Rosa, capacitando mulheres para atuarem na construção civil e instruindo os canteiros e empresas sobre a nossa presença. Está na hora de aprimorar cada vez mais a forma como podemos potencializar resultados, ampliando a presença de profissionais com habilidades complementares e abrindo oportunidades para um canteiro de obras mais seguro, capacitado e diverso.