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"Usina São Paulo: da infraestrutura à gentileza urbana" - O Estado de S.Paulo - Cad. Economia & Negócios - Pág. B8


Executivo traça linha do tempo histórica que levou à revitalização do rio Pinheiros
 
 
Quando, em 1923, o engenheiro Asa Billings escolheu o local do reservatório que levaria o seu nome, uma nova página na história da cidade foi escrita. Como povos antigos que se assentaram às margens de grandes cursos d’água, São Paulo dos Campos de Piratininga foi fundada em 1554 na junção dos rios Anhangabaú e Tamanduateí, em terreno fértil e sagrado. A partir daí, a história da cidade e seus rios foi uma só.
 
Na virada do século XX, a expansão da cidade trouxe consigo a necessidade por energia, e as limitações da época impunham uma geração próxima às áreas de consumo. O lugar ideal para se instalar uma hidrelétrica era o sopé da Serra do Mar, que com seus 700 metros de queda. O projeto, aliado a um reservatório no planalto de Piratininga, viabilizou a produção na nova usina.
 
Com o local definido, o desafio seria buscar água e, mais uma vez, os rios de São Paulo foram cruciais. O objetivo era trazer as caudalosas águas do Rio Tietê ao reservatório de uma forma revolucionária para a engenharia mundial da época: canalizar o rio Pinheiros, antigo rio Jurubatuba, e por meio de estações elevatórias, inverter seu curso natural.
 
Para tal façanha, foi necessário vencer não apenas 25 quilômetros de extensão do novo canal, mas a força da gravidade bombeando a água a uma altura final equivalente a dez andares.
 
Assim, em dezembro de 1925, o então Presidente do Estado de São Paulo Doutor Carlos de Campos autorizava a canadense Light a dar início ao “Projeto da Serra”, um gigantesco investimento na produção de energia elétrica que incluiria a construção de Usina Henry Borden, maior do Brasil na época, o reservatório Billings, a retificação do rio Pinheiros e as Usinas Elevatórias de Traição e Pedreira.
 
Inaugurada em 1940, por mais de 50 anos, a Usina de Traição, batizada em homenagem ao Córrego de Traição que ali passava, operou ininterruptamente invertendo o curso do rio, tornando-se um fundamental equipamento de infraestrutura para o crescimento da metrópole como conhecemos hoje.
 
Mas, com o crescimento desordenado da cidade, a bacia passou a receber cada vez mais lixo e esgoto dos imóveis do seu entorno, e o impacto ambiental no reservatório Billings, responsável pela água potável da capital, chegou a níveis inaceitáveis. Em 1992, o bombeamento foi encerrado e o Rio Pinheiros retomou seu curso original, voltando a desaguar no Rio Tietê.
 
As usinas elevatórias foram mantidas em pronto estado de uso para controle do nível d’água, já que a consequência da supressão da vegetação e das áreas permeáveis das margens do Pinheiros, fez com que o volume de água das chuvas que se concentrava no rio comumente resultasse em transbordo e alagamento.
 
Passados 30 anos, finalmente o Rio Pinheiros recebeu a atenção merecida. Um extenso programa de despoluição e recuperação das margens e da água foi colocado em prática pelo Governo de São Paulo, onde aproximadamente 600 mil imóveis que despejavam seus esgotos diretamente no rio foram ligados à primeira rede de esgoto da Sabesp, em mais de 60 mil pontos de obras. Finalmente o resultado chegou e, em 2022, São Paulo ganhou um Novo Rio Pinheiros.
 
A usina que mudou o curso do rio Pinheiros, agora, muda a história urbana de São Paulo. Com 30 mil m² e localização única às margens do Novo Rio Pinheiros, a antiga Usina de Traição agora é a Usina São Paulo.
 
O projeto integra a mobilidade urbana ao meio ambiente, com novas estruturas de lazer e serviços e uma arquitetura que conta a história passada projetando o futuro. A união das empresas JHSF, FEHU e RFM resulta em um empreendimento que propõe uma nova forma de pertencimento da população com o rio e numa nova maneira de enxergar a cidade através de uma verdadeira gentileza urbana.
 
Thiago Nagib Hinkelmann Nedir é Sócio e Diretor-Presidente da Usina São Paulo
 
 

 



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