
Após nove anos fechado, o Museu do Ipiranga, um dos mais importantes símbolos do patrimônio histórico federal, reabriu suas portas ao público como parte das ações de celebração ao bicentenário da Independência do Brasil. A reinauguração aconteceu após uma minuciosa restauração de R$ 235 milhões, iniciada em 2019, que após três anos, devolveu à capital paulista o edifício em sua mais plena magnitude.
A abertura ao público geral ocorreu em 8 de setembro, já que no feriado da independência (7), a entrada foi restrita a um pequeno grupo de 200 estudantes de escolas públicas e profissionais envolvidos na reforma. A presidente da FIABCI Mundial, Susan Greenfield, durante sua passagem no Brasil para prestigiar o Master Imobiliário, também fez parte dos convidados para acessar o museu antes de sua reabertura, a convite dos secretários de Cultura, Sérgio Sá Leitão, e da Habitação, Flavio Amary.
Por meio de uma visita técnica idealizada especialmente para a nova presidente da FIABCI, ela foi guiada por Amâncio Jorge de Oliveira, vice-diretor do Museu Paulista, e Claudia Pedrozo, presidente da Fundação de Apoio ao Museu do Ipiranga. Susan pode conferir de perto as novidades do projeto.
Com um espaço equivalente ao dobro do tamanho original, o novo Museu do Ipiranga conta com uma área de 6.800 m² construídos e capacidade para receber até 11 exposições simultâneas. O monumento conta também com novas áreas, entre elas um auditório para 200 pessoas, uma sala de exposições temporárias de 900 m² no subsolo e um mirante 360º que promete ser o novo chamariz dos quase 1 milhão de visitantes que os organizadores pretendem receber anualmente.
Para valorizar ainda mais a exuberância do que já havia no edifício, foram realizados reparos em todos os detalhes da refinada arquitetura, incluindo os 7,6 mil m² das fachadas, que, pela primeira vez, passaram por limpeza, incluindo decapagem, recuperação dos ornamentos, aplicação de argamassa, tratamento de trincas e, por fim, a pintura. Conforme os guias, o objetivo da reforma não era modificar a estrutura do monumento, mas recuperar o que o museu já tinha de melhor.
Na área externa, o Jardim Francês, localizado em frente ao museu, foi todo restaurado, com um novo paisagismo, além disso, houve a reforma do espaço que abrigava a antiga administração, que agora recebeu um restaurante. Para deixar o Museu do Ipiranga ainda mais contemporâneo e acessível, houve a modernização da iluminação pública, requalificação das vias de acesso. Completando a ornamentação do jardim, as fontes presentes no projeto original, de 1895, destruídas na década de 1970, foram recuperadas.
Assim como as dependências que compõem o museu, mais de três mil objetos históricos e de arte passaram por um extenso e delicado processo de recuperação. O trabalho minucioso envolveu cinco equipes, entre elas o laboratório de conservação da USP, que administra o novo Museu do Ipiranga. Entre as peças recuperadas está aquela que para muitos é considerada a maior símbolo do 7 de setembro, o quadro “Independência ou Morte”, de Pedro Américo, que retornou às cores originais, tais quais as escolhidas pelo artista em 1888. O resultado só foi possível graças a um extenso processo de pesquisas, que incluiu, inclusive, varreduras na tela com luz infravermelha.
Para arrematar todos os processos de revitalização, a estrutura de prevenção e segurança do Museu do Ipiranga também foi atualizada. A começar pela parte elétrica, que foi envolvida completamente em uma manta cerâmica, capaz de reter altas temperaturas, além de tecnologias de prevenção contra incêndios, que foram integradas a um sistema inteligente de gerenciamento predial. Juntas, todas essas medidas garantem que o maior símbolo da independência nacional seja preservado por muitos e muitos anos, a fim de manter o passado vivo para as gerações futuras conhecerem a história do Brasil.
