
Em um artigo para a revista Forbes, o consultor de investimentos imobiliários Adam Redolfi, que atua na Flórida, nos EUA, aponta algumas das tendências que podem ditar o mercado imobiliário nos próximos anos.
Segundo o especialista, o impacto da pandemia levará a muitas mudanças no comportamento, e certas tendências socioeconômicas começaram a ficar mais claras. Além da relação que os indivíduos passaram a ter com a moradia e do olhar para com os outros, o digital ficou mais presente na rotina das pessoas, que passaram a trabalhar de suas próprias casas.
Nesse sentido, vieram os desejos por espaços mais amplos, com mais áreas externas e que pudessem atender às diversas necessidades de moradia, passando do home office ao lazer. A relação mais próxima com a casa fez com que as pessoas prestassem uma atenção especial ao que atribui mais valor.
Outro conceito que foi redefinido, de acordo com o consultor, foi a definição de luxo, que passou a ser sinônimo de espaço amplo dentro de casa, além de áreas ao ar livre e ambientes integrados. Segundo ele, espaços seguros, silenciosos e reservados para o home office tornaram-se um diferencial de compra. Já as áreas de lazer e serviços a poucos metros de distância ganharam um lugar cativo dentro dos condomínios. E os espaços compartilhados, como academia, piscina, espaço gourmet para eventos e espaço pet passaram a oferecer novos serviços e tornaram-se ainda mais populares. O último, inclusive, tornou-se a ser algo decisivo no momento de compras ou locações de muitos clientes.
Também à revista Forbes, Kevin Hawkins, presidente da WAV Group Communications, premiado por comunicações estratégicas, afirmou que o impacto dos animais de estimação nas decisões de moradia nunca foi tão poderoso e, provavelmente, crescerá. Segundo ele, compreender estas tendências pode ajudar os agentes imobiliários e corretores a comercializarem suas propriedades e atraírem compradores.
Levantamento de 2020 da associação americana National Association of Realtors (NAR), por sua vez, observou que a grande maioria de seus clientes – cerca de 68% – diz que “a política de animais influenciou sua decisão de alugar ou comprar em uma determinada comunidade”. De acordo com o estudo, quando os compradores estão procurando por uma nova casa, não buscam apenas empreendimentos que aceitam pets, mas também que o bairro seja conveniente para um veterinário e/ou espaço ao ar livre para os bichinhos.
Nesse sentido, um movimento que tem ganhado força no setor imobiliário é o chamado pet places, como são conhecidos os empreendimentos que possibilitam atividades ao ar livre com os animais de estimação no próprio condomínio. Estes projetos contam com algumas especificidades, tais como equipamentos e espaços para recreação, passeios e treinos dos animais e serviços de higiene e veterinário, com local para banho e tosa.
Apesar de a quantidade de empreendimentos pet-friendly ainda ser baixa, há um grande movimento que atua para a expansão destes condomínios. A busca ainda é exaustiva e restrita a certos grupos da sociedade. No entanto, com o aumento da população pet, este nicho vem ganhando cada vez mais notoriedade entre as empresas como um mercado em potencial.