
Crise agravada pela pandemia leva incorporadoras e corretores imobiliários a buscarem táticas incomuns para atrair compradores
Enquanto ao redor do mundo o setor imobiliário caminha cada vez mais rápido em direção à modernidade, com tendências como metaverso e criptomoedas, na China, comerciantes têm utilizado grãos e até bichos como moeda de troca.
O país, que enfrenta um colapso nas vendas de imóveis desde que a desenvolvedora chinesa Evergrande deixou de pagar sua dívida no ano passado, tem sofrido com a desaceleração da economia, passando por uma crescente crise imobiliária, que se intensificou com a pandemia de Covid-19.
Conforme dados oficiais, entre janeiro e maio deste ano, as vendas de imóveis caíram 31,5%, acelerando em relação à queda de 21% registrada durante o mesmo período em 2021. Em estudo recente, a empresa de pesquisa privada China Real Estate Information constatou que as vendas das 100 maiores incorporadoras do país caíram 59% em maio em relação ao mesmo período no ano anterior.
A crise imobiliária levou incorporadoras e corretores imobiliários a buscarem táticas incomuns de vendas para atrair novos compradores. Em anúncio publicado na rede social local WeChat, a Central China Real Estate afirmou que aceitará pagamentos iniciais de trigo para casas no condado de Minquan.
Conforme a empresa, os compradores poderão usar o grão para compensar até 160 mil yuans, o que equivale a cerca de US$ 24 mil do pagamento inicial. De acordo com a fornecedora de serviços imobiliários Leju Holdings, responsável pelos imóveis, as casas são vendidas pelo equivalente a US$ 100 mil e US$ 124 mil.
A mesma empresa já havia utilizado a mesma estratégia para atrair novos compradores durante maio deste ano. Em um anúncio mais antigo, a incorporadora convocava os clientes afirmando que aceitaria alho como entrada para um projeto residencial no condado de Qi, na província de Henan.
Localizada na região central da China, Henan é um importante centro de produção de trigo e alho, o que, segundo proprietários da empresa, motivou a Central China Real Estate a aceitar tais formas de pagamento. “Estamos ajudando os agricultores com amor e facilitando a compra de casas”, afirmou em outro post na rede social.
Também para atrair clientes, a incorporadora Poly Real Estate, considerada uma das maiores do país, afirmou que presentearia os compradores de seu novo projeto residencial na cidade de Lianyungang – localizada ao leste da província de Jiangsu – com um porco de 100 quilos. A proteína é a mais consumida na China, e a empresa ainda se ofereceu para abater o animal para os clientes.
Apesar de inusitada, a situação da China passa longe de ser engraçada. Diferentemente dos demais países, que caminham em direção ao futuro, este retrocesso, além de apresentar o tamanho da crise imobiliária do país, mostra também como é grande a demanda habitacional da nação que tem a maior população mundial.
