Canadá veta projeto de smart city para Toronto
Plano para bairro Quayside encontra na privacidade um calcanhar de Aquiles
Consideradas futurísticas e sustentáveis, as smart cities têm como principais pilares tecnologia, eficiência energética e promoção da qualidade de vida. É uma solução pensada para resolver demandas populacionais, que crescem expressivamente, sem deixar de lado a preservação ambiental e o desenvolvimento socioeconômico.
Com o novo conceito, municípios e até bairros em muitos países buscam promover uma revolução na perspectiva sobre o espaço urbano, utilizando soluções tecnológicas para potencializar a oferta de serviços, como segurança, educação e bem-estar, além de oferecer redes e serviços tradicionais ainda mais eficientes.
Conforme a Organização Smart Cities Connect, além da conectividade e do envolvimento governamental, a geração de dados por dispositivos está entre os principais requisitos para que um município obtenha tal título. O conceito tem se expandido em diversas partes do mundo e ganhado forma, inclusive no Brasil, em locais como São Gonçalo do Amarante (CE) e Ouro Preto (MG).
Na Coreia do Sul, 54 famílias aceitaram compartilhar dados de cada detalhe de suas vidas em uma casa inteligente para construir uma cidade em Busan, município portuário. No entanto, à medida que a ideia se expande mundo afora, países apaixonados por tecnologia, como o Canadá, estão adiando a construção das smart cities em seus territórios, justamente por questões de privacidade.
A cidade de Toronto, que, em 2019, chegou a apresentar renderizações do que seria o bairro Quayside, desenvolvido em conjunto pelos arquitetos do Snøhetta e Heatherwick Studio, adiou os planos após um pleito da agência governamental responsável pelo desenvolvimento da área, a Waterfront Toronto, que votou por unanimidade para limitar o plano original de 190 acres a 12 acres.
Residentes da cidade, considerada a 15ª melhor do mundo para se viver, conforme ranking da Global Finance 2022, também foram contra o projeto, pois temiam pela privacidade das pessoas, já que a empresa planejava coletar dados como parte de suas iniciativas à cidade inteligente. Projetado para integrar inovações físicas, digitais e políticas, garantindo acessibilidade, sustentabilidade e qualidade de vida, o Quayside chegou a ter seu desenho arquitetônico aprovado pelos moradores locais. No entanto, esbarrou na questão dos dados.
Ao que tudo indica, por ora, as cidades inteligentes em Toronto não deixarão de ser um conceito para o futuro. No restante do mundo, inclusive no Brasil, projetos continuam em desenvolvimento. E nós permaneceremos atentos a eles, para acompanhar se, de fato, sairão do papel.
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