Conceito Pet Friendly influencia mercado imobiliário
Estudo indica que política de animais nos condomínios interfere na decisão do consumidor de alugar ou comprar imóvel
Espaço, conforto e bem-estar. Durante muito tempo, estes adjetivos serviram de consenso para descrever os anseios que homens e mulheres buscavam para eles e seus filhos em termos de moradia. Ambientes amplos para o lazer das crianças, espaço silencioso para trabalhar e estudar e quartos confortáveis para as noites de sono permeavam os planos de um lar ideal à maioria das famílias.
No entanto, o conceito de família, bem como os anseios destas pessoas, tem mudado muito nos últimos anos. E com eles as prioridades dos consumidores em relação à moradia, que hoje procuram imóveis com opções pet friendly. Se por um lado, a presença das crianças nos lares está diminuindo, o número de animais vem aumentando dia após dia.
Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), hoje, 47,9 milhões de brasileiros são tutores de bichos de estimação. Para atender a este novo perfil, espaço pet, serviços de higiene e veterinário em casa são algumas das opções oferecidas pelos novos empreendimentos, além de maior proximidade com áreas verdes no entorno, pensando no lazer e convivência dos animais de estimação e seus donos.
Estudo de 2014 do IBGE indicava que 38,4% das brasileiras ainda não eram mães. Uma outra pesquisa, de 2019, realizada pela farmacêutica Bayer, com o apoio da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e do Think About Needs in Contraception (TANCO), já apontava que 37% das entrevistadas não queriam ter filhos em nenhum momento da vida. O grupo recebeu até um nome: Geração NoMo ou Not Mothers, em inglês.
Em um artigo assinado para a revista Forbes, Kevin Hawkins, presidente da WAV Group Communications, premiado por comunicações estratégicas, afirmou que o impacto dos animais de estimação nas decisões de moradia nunca foi tão poderoso e, provavelmente, crescerá. Segundo ele, compreender estas tendências pode ajudar os agentes imobiliários e corretores a comercializarem suas propriedades e atraírem compradores.
Levantamento de 2020 da associação americana National Association of Realtors (NAR), por sua vez, observou que a grande maioria de seus clientes – cerca de 68% – diz que “a política de animais influenciou sua decisão de alugar ou comprar em uma determinada comunidade”. De acordo com o estudo, quando os compradores estão procurando por uma nova casa, não buscam apenas empreendimentos que aceitam pets, mas também que o bairro seja conveniente para um veterinário e/ou espaço ao ar livre para os bichinhos.
Nesse sentido, um movimento que tem ganhado força no setor imobiliário é o chamado pet places, como são conhecidos os empreendimentos que possibilitam atividades ao ar livre com os animais de estimação no próprio condomínio. Estes projetos contam com algumas especificidades, tais como equipamentos e espaços para recreação, passeios e treinos dos animais e serviços de higiene e veterinário, com local para banho e tosa.
Apesar de a quantidade de empreendimentos pet friendly ainda ser baixa, há um grande movimento que atua para a expansão destes condomínios. A busca ainda é exaustiva e restrita a certos grupos da sociedade. No entanto, com o aumento da população pet, este nicho vem ganhando cada vez mais notoriedade entre as empresas como um mercado em potencial.
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