
Na sua opinião, o que é necessário para que uma cidade comum se torne uma smart city?
Uma cidade não se torna inteligente - ou smart, na terminologia original - de uma hora para a outra. É preciso que o gestor público tenha a dimensão da importância de o município alcançar este patamar de inovação e melhoria da qualidade de vida. E de a iniciativa privada caminhar junto. Em 2010, a cidade já dava provas claras de sua intenção de transformar-se em uma smart city, com a criação do Centro de Operações Rio, equipamento olímpico entregue seis anos antes dos Jogos de 2016, onde se instalou a Coordenadoria de Cidade Inteligente, que centraliza ações e projetos de planejamento urbano, mobilidade, inovação e tecnologia no conceito smart city. Mais do que estar à frente do novo órgão, a prefeitura confiou a mim a tarefa de tornar o Rio protagonista nas discussões sobre o futuro das cidades.
O que já foi feito na cidade pela Coordenadoria desde que assumiram a gestão?
Trouxemos do congresso de Smart Cities, em Barcelona, além do intercâmbio de experiências com gestores de cidades de todo o mundo, equipamentos de sensorização que começam a ser instalados no Rio. Eles fazem parte da Parceria Público-Privada da Iluminação Pública, que, até o fim do ano, substituirá por lâmpadas inteligentes os 450 mil pontos nas ruas do Rio - 70% delas com telegestão. Além de gerar imagens, 4 mil sensores e 10 mil câmeras serão capazes de captar e transmitir informações que irão desde a temperatura ambiente no local em que estiverem instalados até o número de pessoas nas imediações, passando por diversos outros dados. Ainda este ano, o cidadão do Rio poderá trafegar em ruas mais seguras, graças à modernização do sistema semafórico.
As redes de internet disponíveis na cidade até o momento já são suficientes para comportar o título?
Nos próximos meses, o carioca passará a contar com um total de 5 mil antenas Wi-Fi. Instaladas em parques, praças e junto a pontos de ônibus, elas garantirão acesso gratuito à internet a milhares de pessoas que, até hoje, formam um contingente de excluídos digitais. Também, a partir deste ano, terá início a implantação da tecnologia 5G pelas empresas de telefonia móvel. A nova tecnologia, já implantada em 65 países, promete velocidade maior para downloads e uploads, além de mais estabilidade na conexão, e tornará possível o acesso à chamada “Internet das Coisas”.
É praticamente impossível falar de smart cities sem citar as criptomoedas. Existe algum plano para a implementação delas como forma de pagamento na cidade?
Certamente. Duas outras iniciativas inteligentes do Rio, apresentadas na recente “Rio Innovation Week”, são a criação de um Sandbox regulatório na cidade, o Sandbox.Rio, e do Crypto Rio, moeda digital que colocará a cidade no mapa dos criptoativos. O Sandbox é um espaço controlado para empresas e instituições fazerem seus testes de políticas públicas e novos modelos de negócios para o Rio. Já o Crypto Rio, objeto da criação de um Grupo de Trabalho, prevê, por exemplo, descontos em tributos municipais - como o IPTU - para aqueles que pagarem o imposto com a moeda digital.