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Quem faz o setor – Cidade viva ou cidade morta? VP do Grupo Bandeirantes observa o exclusivismo presente em algumas regiões da capital paulista


Paulo Saad Jafet é Vice-Presidente do Grupo Bandeirantes de Comunicação

Que sensação o retorno à socialização lhe causa, agora que voltamos a ocupar a cidade de São Paulo, graças à diminuição nas restrições?

 

A consciência da hostilidade da cidade para com muitos de seus moradores. Com exceção de alguns espaços privilegiados, verdadeiras bolhas, existe um desequilíbrio entre as regiões da cidade. E se o fim do distanciamento social levou a população de volta às ruas, ele fez surgir também um movimento por melhoria nos espaços públicos. Em São Paulo, os bairros com mais moradores são os que menos têm praças e parques. São os que menos concentram serviços e possibilidades. Enquanto isso, os com menor população são os que oferecem mais infraestrutura. É a política do “não no meu quintal”.


De que forma o senhor acredita que podemos diminuir essa tal “hostilidade” da cidade para com as pessoas que moram afastadas das áreas privilegiadas?

 

É preciso aprender com Nova York, Tóquio, Londres, que ressignificam as cidades ocupando o centro, ampliando espaços de convivência, derrubando os muros através de uma educação urbanística. Uma cidade viva e viável só é possível com a inclusão. São Paulo tem 3 milhões de moradores no centro expandido, em bairros com infraestrutura, emprego e lazer e 9 milhões de pessoas em bairros dormitórios, que não podem ter o prazer de sair a pé e encontrar o que precisa por perto. Nos anos 90, Nova York vivia uma epidemia de violência e sofria com o avanço do crack na cidade. A mudança aconteceu com a ocupação dos espaços públicos e com a promoção do adensamento das regiões mais equipadas.

 

De que forma é possível fazer com que o povo ocupe os centros, já que, na maioria das vezes, vive afastado destas áreas?

 

É preciso combater o exclusivismo para tornar a cidade viável. Esse é o grande desafio, a modernização dos projetos urbanísticos. O Poder Público precisa fazer a lição de casa. Evoluir em sua legislação urbanística para garantir investimentos nas áreas mais centrais e menos habitadas. Acredito que o mercado imobiliário tem essa consciência, mas está imobilizado por um Plano Diretor que precisa ser atualizado. Após décadas de inação, a Prefeitura e a Câmara aprovaram um programa para requalificação do centro, o Requalifica Centro. Entretanto, está paralisado, em discussão no Judiciário.

 

Na sua opinião, qual o papel da imprensa a fim de reduzir esse tipo de diferença social?

Nós, os veículos de comunicação, temos nossa responsabilidade. Afinal, convivemos na mesma cidade e devemos expressar a opinião do público, denunciando as iniquidades, revelando os motivos menos nobres, provendo informação adequada à população e cobrando dos poderes Legislativo, Judiciário e Executivo soluções definitivas para essas questões.

 



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