
Você com certeza já ouviu falar nas smart cities ou cidades inteligentes, os centros urbanos planejados com processos eficientes que buscam melhorar o cotidiano e a qualidade de vida de seus moradores. Muitas das ferramentas usadas no desenvolvimento destes locais podem ser utilizadas em nosso dia a dia.
Um estudo elaborado recentemente pela ESI ThoughtLab mostra que, para 65% dos líderes municipais – incluindo prefeitos, secretários de planejamento e outros gestores envolvidos na rotina administrativa de uma cidade –, uma das principais lições aprendidas com a pandemia é como atuar para programar cidades inteligentes para o futuro. Além disso, 88% elencam as plataformas em nuvem como requisito mais urgente para a entrega de serviços aos cidadãos.
A implantação do 5G, por sua vez, será o grande motor de infraestrutura das cidades inteligentes. Pela tecnologia, a internet é de 20 vezes a 100 vezes mais veloz do que em uma conexão 4G, o tempo de resposta é sensivelmente menor (a comunicação é, praticamente, em tempo real) e há muito mais estabilidade. E a grande questão é que o 5G pode acelerar o desenvolvimento da chamada Internet das Coisas (IoT), em que os equipamentos se comunicam, funcionando de forma autônoma e conectada.
Além do 5G, que ainda parece estar longe da nossa realidade, outras ferramentas atuam para tornar as cidades mais conectadas e tecnológicas. Com isso, muitos locais no mundo trabalham no desenvolvimento de cidades ainda mais tecnológicas.
Em Santander, na Espanha, há um sistema que permite a atuação estratégica de equipes de limpeza, por meio de sensores Wi-Fi que indicam quando as lixeiras devem ser esvaziadas, além de sensores que mostram vagas livres para estacionar nas ruas e de ferramentas, em postes de luz, que detectam a presença de pedestres e acendem apenas quando necessário.
Londres, por sua vez, foi declarada a cidade mais inteligente do mundo, de acordo com a sétima edição do IESE Cities in Motion Index 2020. Nova York vem em segundo lugar, seguida por Paris.
Preparado pelo Centro de Globalização e Estratégia da IESE Business School, o índice anual analisa o nível de desenvolvimento de 174 cidades mundiais em nove dimensões consideradas essenciais para cidades verdadeiramente inteligentes e sustentáveis. São eles: economia, meio ambiente, governança, capital humano, projeção internacional, mobilidade e transporte, coesão social, tecnologia e planejamento urbano.
A corrida pela implementação de melhorias no dia a dia dos cidadãos ganhou ainda mais força no Oriente Médio, onde, atualmente, se encontram a maioria dos projetos de cidades inteligentes. Um deles é o projeto Neom, em construção na Arábia Saudita, por exemplo, recebeu investimento de US$ 500 bilhões e a intenção é transformar o local no “Vale do Silício” da região. Essa deverá ser a maior cidade inteligente do mundo.
Localizada na província de Taruk, Neom abrigará outras 16 cidades inteligentes, entre elas a The Line. O projeto, lançado no início de 2021, prevê uma cidade linear, com extensão de 170 quilômetros, e serviços essenciais a cerca de, no máximo, 20 minutos de distância. Dentro do espaço não haverá nenhum veículo movido à combustão. A cidade contará ainda com uma infraestrutura subterrânea de água, luz, gás e mobilidade, com metrô e hyperloop – cápsulas dentro de tubos de vácuo que transportam passageiros em alta velocidade. Tudo será 100% planejado, operacionalizado e controlado por inteligência artificial.
Tanto paras as novas cidades, que estão nascendo sob o título de inteligentes, quanto para as que já estão consolidadas ao redor do mundo, o grande desafio é encontrar formas de adequar os orçamentos públicos aos projetos e, para que isso ocorra, existe a necessidade de uma mobilização da população, dos governantes e da iniciativa privada.