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Responsável por um quarto do PIB, setor imobiliário chinês segue com resultados expressivos


Recentemente o jornal O Estado de S. Paulo publicou interessante conteúdo da revista britânica The Economist a respeito do cenário e perspectivas do setor imobiliário chinês para os próximos anos. O texto trouxe dados que exemplificam, dentre outros entendimentos, dois aspectos essencialmente importantes: (i) a força, o tamanho e o potencial ainda inexplorado do mercado imobiliário da China; (ii) e as possibilidades que se vislumbram ao setor no Brasil, com o objetivo de ampliar a fatia que lhe é correspondente na geração de riquezas do país.

Na China, o setor imobiliário responde por 25% do PIB. Mais importante que este número é a percepção positiva que o chinês tem sobre a compra do imóvel próprio, seja para sua primeira moradia, seja para ampliar sua qualidade de vida. Por este motivo, a publicação britânica se refere à permissão para adquirir imóveis em algumas regiões do país como uma loteria, tamanha é a demanda por novas casas em boas localizações.

Nestas regiões, muitos chineses acumulam capital durante anos até que sejam contemplados, via sorteio, com a possibilidade de comprar um imóvel. Outros locais da China passam, naturalmente, por um cenário oposto, com excesso de oferta de imóveis e poucos compradores interessados. Quando falamos no país com a maior população mundial, no entanto, tudo ganha contornos grandiosos e o mesmo se aplica às possibilidades e problemas do setor imobiliário local.

Ciente do tamanho da demanda por novas casas em diversas localidades do país, o governo chinês aumentou seu controle e criou regras para impedir a compra de outro imóvel e, até mesmo, evitar que as pessoas tivessem livre acesso para promover ações de compra e venda de suas residências.

Anualmente, a China constrói cerca de 15 milhões de novos lares. O número representa mais de cinco vezes a quantidade correspondente aos Estados Unidos e à Europa juntos. É uma enormidade que, infelizmente, não atinge todo o seu potencial devido às rígidas determinações impostas pelo governo local.

Até mesmo aqueles que esperavam cenários negativos, oriundos de uma possível bolha do setor e dos impactos gerados pela pandemia de Covid-19, chegaram à conclusão de que os próximos anos, no máximo, irão desacelerar o crescimento do mercado. Uma forte recessão, entretanto, não é vista como possibilidade concreta.

No Brasil, o setor imobiliário representa entre 8% e 10% do PIB. A variação, inclusive, corresponde às próprias variações sazonais do mercado, influenciado pela volatilidade do poder de compra da população e de fatores externos como a inflação dos insumos de construção.

A população brasileira representa, de acordo com os dados mais recentes, cerca de 15% do total de chineses. Isso não significa um mercado reduzido. Pelo contrário, é a China quem tem números superlativos.

Ao observar o universo de oportunidades que pode ser gerado pelo mercado imobiliário brasileiro, concluímos que a fatia próxima aos 10% do PIB pode ser ampliada a partir de medidas que facilitem o crédito imobiliário em todas as etapas da construção e que fomentem o desenvolvimento dos players do setor, reduzindo o chamado Custo Brasil e o peso da inflação verificada nas matérias-primas utilizadas.

Os resultados chineses devem ser vistos em perspectiva, de modo que as autoridades brasileiras possam identificar o que pode ser replicado no país, guardadas as devidas proporções, é claro!

Por José Romeu Ferraz Neto, presidente da FIABCI-BRASIL

 



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