
Conhecido como BIM, o sistema de Modelagem da Informação da Construção ganha cada vez mais importância no setor imobiliário global. Com possibilidade de aplicação em praticamente todas as etapas do projeto, o modelo tem como objetivo gerar ganhos de produtividade e desempenho, reduzir os desperdícios e controlar de forma mais assertiva tanto a obra quanto as operações das edificações.
Uma das principais consequências do uso da tecnologia nos canteiros de obras é o fomento à transformação digital da construção. Se essa revolução tecnológica já aconteceu em alguns setores produtivos e de serviços, no caso da construção é preciso considerar as dificuldades inerentes ao trabalho, que impõem um maior número de licenças com o objetivo de garantir a integridade de seus trabalhadores e consumidores.
Um estudo global realizado pela consultoria IDC revelou que 72% das companhias do setor da construção civil acreditam que a transformação digital é uma prioridade. No entanto, somente 13% do total de empresas já se considera madura em relação à adoção de novas tecnologias. O levantamento contemplou entrevistas com construtoras de 12 países da Europa, Américas e Ásia, incluindo o Brasil.
Mesmo no mercado internacional, o uso do BIM não está consolidado integralmente. Isso está refletido, por exemplo, nos gastos gerados ao setor em decorrência de problemas que poderiam ser resolvidos a partir da tecnologia.
Dados da consultoria CMAA Emerging Technologies Committee Members: Soad indicam que mais de 30% dos custos globais da Construção Civil decorrem de erros de coordenação, desperdício de material e ineficiência do trabalho.
Trata-se de uma parcela de gastos considerável, principalmente quando se leva em consideração a crise econômica que atinge a maioria dos países, bem como a inflação dos materiais da construção civil, cuja alta dificilmente é repassada ao consumidor final.
No Brasil, o uso do BIM será obrigatório para obras públicas a partir deste mês de janeiro, conforme decreto nº 9.377, de 2018. Não se trata, é claro, do simples apertar de um botão. O uso da tecnologia BIM – e a economia que se esperar obter – requer qualificação aos profissionais do setor.
O BIM não consiste apenas na modelagem 3D do projeto, mas na aplicação de outras tecnologias integradas, como realidade virtual e aumentada. Tudo isso em um contexto de manutenção preditiva que, por si só, já gera economias.
Ainda assim, a expectativa do Brasil é de que cerca de 50% do PIB da construção civil utilize a metodologia BIM até 2024. Posteriormente, a confiança é pelo fomento ao seu uso também no setor privado.
A expectativa é positiva já que o incentivo pode ser o que faltava para as empresas do setor que ainda não haviam integrado a tecnologia à sua rotina de operações. Pesquisa recente da MarketsandMarkets apontou que o mercado global de BIM deve aumentar de US$ 4,9 bilhões em 2019 para US$ 8,9 bilhões em 2024. Projeta-se taxa de crescimento anual de 12,7%. É uma forte tendência para o setor, cujo fomento para o uso passa a vir do próprio Poder Público de alguns países.