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Efeitos da pandemia na construção civil e em modelos compartilhados de moradia e trabalho


Efeitos da pandemia na construção civil e

em modelos compartilhados de moradia e trabalho

Diante dos desafios impostos pela pandemia de Covid-19 em todo o mundo, a discussão a respeito dos custos da construção civil ganhou ainda mais importância. O avanço desses índices contribui para impactar não apenas construtoras e consumidores, mas a cadeia como um todo.

No primeiro semestre deste ano, a consultoria Arcadis lançou seu tradicional índice de 100 cidades com maior custo de construção no mundo. Nos Estados Unidos, Nova York registrou valores mais baixos, em um cenário motivado, principalmente, pela falta de obras de construção na metrópole e pelo excesso de oferta de imóveis na região central.

Por outro lado, Londres, na Inglaterra, liderou o levantamento. O entendimento da consultoria é de que a cidade ampliou o custo de sua construção civil devido ao investimento contínuo em empreendimentos residenciais, hoteleiros e comerciais de alto padrão.

Na lista da consultoria, São Paulo e Rio de Janeiro aparecem em 65º e 66º lugares, respectivamente. A Arcadis explica que diversos fatores influenciam a posição de uma cidade no índice, que contempla países de todos os continentes. O investimento em empreendimentos de luxo, por exemplo, está restrito a um pequeno conjunto de cidades.

Importante salientar também que o estudo da Arcadis foi realizado ainda no início da pandemia do novo Coronavírus. Desse modo, é preciso considerar que algumas cidades certamente registraram deterioração em seus índices, graças ao agravamento global da crise, com períodos de isolamento prolongados, aumento expressivo no número de mortos e elevação nas taxas de desemprego.

São Paulo e Rio de Janeiro podem ser consideradas exemplos deste argumento. As metrópoles brasileiras aparecem na segunda metade do levantamento, atrás de locais como Perth (Austrália), Berlim (Alemanha), Toronto (Canadá) e Moscou (Rússia).

Por aqui, no entanto, o que se verifica é uma verdadeira pressão em direção à alta dos custos na construção, especialmente devido ao preço dos materiais utilizados no setor. Em setembro, o Índice Nacional de Construção Civil subiu 1,44%, a maior alta desde julho de 2013. No acumulado de 2020, a alta é de 4,34% e, nos últimos 12 meses, de 4,89%.

Na divulgação dos números, o IBGE ressaltou que setembro fechou um trimestre de altas sucessivas na parcela relativa aos materiais, enquanto os custos de mão de obra mantiveram-se estáveis.

Outro assunto a ganhar importância durante a pandemia foi o desempenho das empresas de coworkings e colivings. Esses modelos se apresentavam como uma alternativa para trabalhadores e moradores que buscavam diminuir a burocracia de início e fim de contratos, bem como, em alguns casos, reduzir os valores dispendidos nas opções tradicionais.

No entanto, o distanciamento social necessário para impedir a propagação do novo Coronavírus gerou uma espécie de valoração negativa ao ato de compartilhar, de dividir.

Nos Estados Unidos, todavia, empresas especializadas neste modelo de moradia e escritório passaram a oferecer diferenciais para manter os clientes e conquistar novas contas. Foi necessário entender as novas demandas geradas pela pandemia e o fato não está relacionado somente ao reforço de medidas de higiene e segurança.

Para cumprir as regras de distanciamento em escritórios, algumas empresas americanas passaram a contar com espaços de coworking para alocar colaboradores. O custo compensa, principalmente, quando se leva em consideração que o local simula muito bem as vantagens de um escritório tradicional, evitando distrações que o profissional teria se estivesse trabalhando de casa.

Em Nova York, por exemplo, espaços de coworking passaram a oferecer locações mais flexíveis, por semana, por dia e até por algumas horas. Atendem, assim, a uma necessidade relacionada à pandemia, que impôs uma série de incertezas a empresas e profissionais quanto às situações em que se encontrarão em prazos considerados curtos.

Na metrópole norte-americana, os coworking perceberam que as pessoas já não tinham um local como válvula de escape, para trabalhar por algumas horas em um café ou uma lanchonete, por exemplo. Desse modo, espaços compartilhados, devidamente higienizados e adaptados ao distanciamento, voltaram a ser uma opção economicamente relevante.

Na Europa, a consultoria CBRE analisou o mercado de coliving e as mudanças impostas pela pandemia em seis cidades: Londres, Amsterdã, Berlim, Madrid, Milão e Viena. A conclusão foi de que algumas características da moradia compartilhada em metrópoles podem contribuir com as metas de distanciamento social e higiene reforçada.

Isso porque a possibilidade de ter um quarto privado permite o distanciamento e a limpeza necessários, assim como um estúdio, que significa não ter de dividir banheiros e cozinhas. A estrutura de internet garante o trabalho remoto e evita deslocamentos, assim como uma gestão centralizada contribui para a manutenção do espaço sem que seja necessário recorrer ao proprietário ou a terceiros.

Tanto o coliving quanto o coworking deverão sobreviver à pandemia. Muito provavelmente em um tamanho inferior ao pré-crise, mas gerando formatos que se adequem melhor às muitas necessidades que surgem a partir do momento em que vivemos.

 


 



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