Caio Calfat, diretor da Caio Calfat Real Estate Consulting, destaca que o período de recessão, entre 2014 e 2017, afetou a indústria imobiliária fortemente, causando queda de vendas e surgimento dos distratos imobiliários. Na região Sudeste do país, as empresas não tiveram alternativas além de gerenciar o estoque e buscar formas de evitar a devolução daqueles já vendidos.
Como está o setor?
O setor deve se aquecer em novos lançamentos. Porém, mesmo com problemas de absorção do estoque entregue, os agentes imobiliários do Sudeste continuaram a pesquisar, entre 2014 e 2017, o mercado e a buscar soluções que fugissem do tradicional. Alguns projetos começaram a sair do papel: empreendimentos para alojamento de estudantes e idosos; residenciais para renda através do aluguel de temporada em diversos modelos, como o conceito coliving; e mesmo soluções de vendas, como a multipropriedade.
O que esperar desses novos modelos de negócios?
Esses novos modelos de negócios trouxeram novidades ao mercado, como já acontece no segmento de condo-hotéis, uma vez que a operação e a gestão de renda deste tipo de empreendimento necessitam da administração de um terceiro, caracterizando contrato de investimento coletivo, que precisa atender às normas do mercado de capitais monitorado pela CVM – Comissão de Valores Mobiliários. As normas da CVM impõem aos líderes do projeto uma série de práticas no dia a dia do negócio imobiliário tradicional, principalmente na parte de vendas, que deve adotar uma linguagem informativa - e não persuasiva, visando a concretização das vendas.
E quais as expectativas para os próximos anos?
Dados do IBGE apontam que, em 2025, a região Sudeste irá demandar 34,8 milhões de moradias, um montante 5,6 milhões de unidades superior ao que se registrava em 2014. Dessa forma, após os anos de estagnação, o potencial deste mercado para os próximos cinco anos é exponencial para geração de emprego, renda e crescimento econômico.