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Como sermos de fato sustentáveis?


 

 

Newsletter I

 

 
Em 2005, na cidade de Kinsale, Irlanda, duas estudantes, Catherine Dunne e Louise Rooney, fizeram um projeto para a aula de permacultura (síntese das práticas agrícolas tradicionais com idéias inovadoras) do professor Rob Hopkins da Kinsale Further Education College, que resultou em um movimento chamado Transition Towns (Cidades em Transição). Logo em seguida, o projeto das alunas foi utilizado por Rob Hopkins em Totnes, Inglaterra, quando desenvolveu o conceito das cidades em transição e liderou um grupo de pessoas para ensinar como lidar com os desafios da mudança climática e do pico do petróleo (teoria que anuncia que a produção de petróleo chegará a um pico e depois disso ocorrerá uma queda terminal). Esse movimento se propagou e está presente em mais de 10.000 locais ao redor do mundo. Os grupos não possuem uma doutrina a ser seguida, pois muitas pessoas que deles participam já haviam feito cursos teóricos sobre sustentabilidade e decidiram colocar os ensinamentos em prática. O mundo está sendo muito degradado e a natureza não consegue mais repor os recursos naturais no ritmo necessário, por isso as cidades precisam se preparar para enfrentar rapidamente os problemas, porque não há mais tempo para deixar que as próximas gerações os resolvam.

E o Brasil, será que já foi atingindo por este movimento? Em entrevista com o arquiteto Marcelo Todescan, existem Transition Towns em alguns locais do Brasil, ele é participante na da Granja Viana e as reuniões promovidas objetivam criar uma nova visão tanto para as pessoas quanto para o funcionamento dos seus bairros. Esta visão possui um cronograma, deve ser planejada para curto, médio e longo prazo. O que você pode começar a fazer amanhã? E o seu bairro? Assim, progressivamente, vão se tornando mais sustentáveis. Como exemplo: amanhã é possível começar a coleta seletiva no seu condomínio, não desperdiçar água em banhos demorados ou colocar sensores de presença nas áreas comuns como corredores e escadas, já a médio prazo trocar para uma caixa d’água com captação de chuva, reutilização da água do banho e da máquina de lavar para descarga ou limpeza e instalação de meios para energia solar ou eólica. O setor da construção civil tem muita responsabilidade, pois pode utilizar materiais ecológicos em suas obras e infraestrutura sustentável nos empreendimentos construídos. É possível manter o luxo e conforto em um ambiente sustentável. “Os indivíduos precisam desconstruir a visão de que o mundo irá acabar e construir uma visão positiva de futuro da nossa cidade. Utilizar o poder da resiliência, ou seja, conseguir reagir às ações externas sem perder a essência, superar qualquer evento rapidamente” disse Marcelo.

Os grupos formados são iniciados pela equipe do Transition Towns e depois multiplicam o aprendizado. Primeiro os participantes de um novo grupo explicam como é a sociedade/condomínio daquele lugar, faz-se um diagnóstico do ecossistema e depois são ensinados e participam de treinamentos para modificar o processo atual, fazer a transição. Na Granja Viana foi feita a “Hora do Planeta” quando todo o bairro jantou à luz de velas nos diversos restaurantes e 5% do dinheiro arrecadado foi utilizado para a construção de uma praça. Outro local onde estão sendo feitas reuniões é na Brasilândia, onde, após receberem os conceitos e treinamentos, os moradores ficam sendo observados para ver como estão atuando. Cada um tem uma estratégia diferente e o importante é começar.

A tendência é que as pessoas se paralisem porque a transição é um obstáculo, fomos criados sem estarmos tão atentos aos conceitos de sustentabilidade, mas sempre há uma saída. Os grupos têm divulgado as ações desempenhadas, inclusive colocando filmes na internet, para que outros grupos tenham exemplos de ações bem sucedidas (www.transitionbrasil.ning.com/video). Sabemos que toda a mudança é difícil, só que se não nos conscientizarmos de que a sustentabilidade deve estar presente em todos os níveis de nossa vida: no edifício em que trabalhamos, na casa em que moramos e nos atos que
praticamos, será tarde demais. Uma pequena ação iniciada hoje e outras iniciadas nos dias subsequentes resultarão em um mundo melhor. Ou melhor, farão com que tenhamos um mundo!

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