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Procura em SP e Rio por imóveis é afetada por greve


Procura em SP e Rio por imóveis é afetada por greve
 
A demanda por imóveis começou a ser afetada pela insegurança provocada pela greve dos caminhoneiros, segundo representantes do setor de incorporação. Na cidade de São Paulo - maior mercado imobiliário do país -, o movimento de visitação aos estandes de vendas foi reduzido, o que contribui para agravar o desempenho operacional das incorporadoras neste segundo trimestre, em que o volume de lançamentos inicialmente esperado já foi comprometido apesar da cassação da liminar que suspendeu o chamado direito de protocolo. No Rio de Janeiro, a queda da demanda medida por visitas e propostas de compra de imóveis é ainda mais expressiva.
 
Levantamento realizado pela Brasil Brokers a pedido do Valor aponta que o total de visitas aos estandes dos plantões de vendas da segunda maior rede de imobiliárias do país caiu 28% e que as propostas de compra apresentadas tiveram queda de 39%, em São Paulo, na primeira semana de greve dos caminhoneiros em relação à semana imediatamente anterior. No Rio, a visitação foi reduzida em 37%, e as negociações encolheram 44%. O levantamento inclui todos os plantões em que a Brasil Brokers tem presença - lançamentos, estoques e lojas.
 
"Nosso mercado tem produtos de valor agregado alto. A greve dos caminhoneiros gera incerteza e insegurança em relação ao cenário político e econômico, o que posterga decisões de tamanha relevância, como a aquisição de um imóvel", diz o presidente da Brasil Brokers, Cláudio Hermolin. Segundo o executivo, a queda do movimento resulta também da "dificuldade de ir e vir" neste momento de restrição da disponibilidade de combustíveis. Não estava previsto nenhum lançamento por meio da Brasil Brokers para o último fim de semana.
 
"Houve queda na visitação aos plantões e nas vendas", afirma o presidente da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz Antônio França. O presidente do Secovi-SP, Flávio Amary, ressalta que o mercado imobiliário exige previsibilidade e segurança no futuro. "Será difícil a recuperação no curto prazo", diz Amary. Segundo ele, ainda não houve postergação de lançamentos imobiliários devido à greve.
 
A Tecnisa é uma das incorporadoras que confirmou que a visitação dos estandes de vendas foi reduzida após o início da greve dos caminhoneiros. Apesar disso, a companhia não alterou suas projeções para o ano. Ainda não é possível medir o impacto nas vendas, segundo a incorporadora. A Tecnisa tem dois empreendimentos em obras, em São Paulo, um de alto padrão e o outro, econômico.
 
Segundo o presidente da Even Construtora e Incorporadora, Dany Muszkat, as vendas foram boas, no fim de semana, mas o impacto da greve já foi sentido na comercialização, embora ainda não possa ser mensurado. A Cury - empresa da qual a Cyrela tem 50% de participação - registrou vendas fracas
no fim de semana. Outra incorporadora que pediu para não ser identificada informou que houve redução da comercialização de imóveis, principalmente, em São Paulo.
 
A MRV Engenharia - maior incorporadora do país - continua a esperar que maio seja o segundo melhor mês do ano até agora, apesar da greve dos caminhoneiros. Por enquanto, o desempenho de março foi o melhor registrado pela incorporadora mineira. "Mantemos a visão de que o segundo trimestre será melhor do que o primeiro trimestre", afirma o copresidente da MRV, Rafael Menin, ressaltando que a compra de imóveis não é uma decisão por impulso.
 
Segundo o copresidente da MRV, no fim de semana, as visitas foram reduzidas nos plantões de vendas da companhia e nos feirões da Caixa Econômica Federal, mas a taxa de conversão em vendas aumentou. "Quem foi aos plantões e aos feirões foi quem tinha disposição de comprar", diz Menin. O executivo ressaltou que, apesar da deterioração do cenário político, a economia real está melhor do que há um ano.
 
Já a Lopes, maior rede de imobiliárias do país, não sentiu nenhum efeito da greve nas suas vendas, de acordo com o diretor financeiro e de relações com investidores, Marcello Leone. "As vendas da Lopes mantiveram a normalidade no Brasil todo", diz Leone. Segundo ele, houve três lançamentos por meio da Lopes, no fim de semana, com Valor Geral de Vendas (VGV) que soma R$ 325 milhões.
 
Neste ano, os lançamentos de imóveis na cidade de São Paulo foram afetados pela liminar que suspendeu, do fim de fevereiro até meados de maio, o direito de que projetos protocolados antes de a nova Lei de Zoneamento ter entrado em vigor pudessem seguir as regras antigas. A liminar foi cassada, mas as incorporadoras ainda precisam obter as licenças junto à Prefeitura para os projetos antes de apresentá-los ao mercado. Além disso, o ritmo de lançamentos será influenciado pela Copa do Mundo e pelas eleições. A retração da demanda, ainda que possa ser temporária, não é nada animadora para o setor.

Fonte: Valor - Empresas, por Chiara Quintão, 30/05/2018

 



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